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26 julho, 2014


Poderia dizer-te que começo a sentir um fraquinho por ti! 
Mas na intermitência das palavras poderá ser esse diminutivo pouco expressivo perante o que nasce cá dentro. Uma sementinha que se desenvolve com cada palavra escrita e não dita. Talvez seja então mais que um fraquinho, algo vivaz e enraizado. Um sentido de descoberta, mais que uma simples aventura, um querer consciente e presente. Um nada de tudo o que sou, perante o tudo que és. Não sei como veio e por que caminhos palmilhou. Isso não importa. As flores silvestres espalham-se com o vento e enraízam para dar flor. A vida é para ser vivida, e sentida também. A razão só atrapalha o coração. Assumo-o, é algo mais forte para ser tratado por um diminutivo, ou uma expressão curriqueira. Os sentimentos não são curriqueiros. Ou até são nos dias de hoje. Não se está para a vida assim, assim, nem para os sentimentos. Por isso digo-te, mexes-te comigo. Não que tenha ficado com a cabeça para os pés. Talvez da cabeça para o coração e daí para os restante corpo. Estou para ai virado! Por isso apetecia-me dar-te um beijo, só para ver no que dava. Talvez viesse outro, e com outro um estalo. Devagar então! E eu não tenho pressa. Digo-te ao ouvido. Ainda é segredo. E se tivesse podia ir andando. É uma vontade sem a ter, de te querer ver e sentir quando não estás por perto. Distraio-me nos afazeres e vou ter contigo. Uma fuga de ideias, para a ideia de te ter junto a mim. Isto poderá ser diagnosticado com uma qualquer doença, mas para mim é algo mais. Não dói, é bom. É um calor sem febre, sem dor. Por agora é só descobrir o que se passa, de olhar em olhar. De brincadeira em brincadeira. Em silêncios e distâncias. Delineando cada movimento, num tempo indefinido de coisas que se vivem, e se sentem. Convido-te a habitar nesta pequena casa de árvore. Como se fazia antigamente quando éramos pequenos. Comecemos por ai, pequenino, com a inocência de uma criança. E quando somos crianças as coisas acontecem e crescem sem darmos conta. Como a tal semente. Vamos por ai então sem olharmos para trás. Que sejamos crianças e deixemo-nos levar pelo inatismo dos sentidos... Queres vir brincar?
a.tereso

22 julho, 2014


Mazurkismo Voluntário

Declaro-me mazurkista
De um qualquer salão de baile,
Onde permaneçam os sentidos
E um leve aroma sensual e picante.

Entrelaço-te ao meu corpo, e
Balanceio-te em mim ao 2º e 3º acento,
Em compassos sentimentais de 3/4,
Expondo-nos à intimidade um do outro.

Não sei que direção levo, perco-me em ti!
Semicerro os olhos, para que a
Realidade ganhe outra dimensão,
e para que a concertina perca a forma.

Somos um só, em ritmo pontuado
Não sabemos onde estamos,               
Termino com sorrisos, e um desejo:
Queres dançar uma Mazurka?

21 julho, 2014

Um Ofício que Fosse de Intensidade e CalmaUm ofício que fosse de intensidade e calma 
e de um fulgor feliz E que durasse 
com a densidade ardente e contemporâneo 
de quem está no elemento aceso e é a estatura 
da água num corpo de alegria E que fosse   fundo 
o fervor de ser a metamorfose da matéria 
que já não se separa da incessante busca 
que se identifica com a concavidade originária 
que nos faz andar e estar de pé 
expostos sempre à única face do mundo 
Que a palavra fosse sempre   a travessia 
de um espaço em que ela própria fosse aérea 
do outro lado de nós e do outro lado de cá 
tão idêntica a si que unisse o dizer e o ser 
e já sem distância e não-distância nada a separasse 
desse rosto que na travessia é o rosto do ar e de nós próprios 


António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"

Talvez o trabalho sejamos nós e parte de nós, 

e o maior trabalho sabermos o que somos e para o que viemos. Talvez o trabalho seja sorrir e abrir-mo-nos a cada dia, aceitar-mos o que ele nos dá com gratidão, num tempo dedicado ao que nos envolve e concretiza. Um trabalho, sem trabalho, nem obrigação, na plenitude do que nos envolve e no momento em que vivemos. Que o nosso maior trabalho seja dedicado ao coração e á leviandade dos sentidos. Que imanentemente possamos viver nesse ofício, o de amar!a.tereso

11 julho, 2014


Trinca esta maça que te dou

São os néones da noite que me despertam os sentidos e a superficialidade do meu sexo. Vou à procura do teu corpo esguio, fértil para que consiga adormecer. Refugio-me no álcool. Fumo um charro. Vou sem destino, à deriva. Olho à minha volta e tudo me é familiar. Chego a um cais e entro num barco. Não sei remar e não há vela. Nado. Canso-me de nadar e flutuo a ver onde me leva o vento. Adormeço. Acordo molhado e com frio.
Dei à costa, mas não sei onde estou. Ai fico até que me encontres. Há um pessegueiro e luz lá longe. Quero aqui ficar. Ai fico até que deixes de habitar em mim. Aqui fico até ao naufrágio do raciocínio que nos afasta e que não tem sentido. Apesar de longe, vives na mesma ilha que eu. Estás convidada a habitar no amor. Onde estou eu e um pessegueiro. Mas também há maças. Queres uma para trincar?

a.tereso

09 julho, 2014


Gostava deste fim de semana te convidar para ir tomar um café. Nada mais que trocar uns beijos e uns olhares. Sou sincero. O café é um pretexto. Nem sequer necessitamos de entrar. Pudemos ficar por um qualquer jardim. Quero mesmo é sentir-te mais perto. Poder tocar-te, acariciar-te. Sem dizer uma palavra sequer para não complicar o que é simples. Não fazer promessas, não criar ilusões, não emaranhar. Ser simples. Fazer como os jovens de hoje. Primeiro fazer e se der tempo depois pensa-se no que se faz. O meu problema é pensar demais. Querer imaginar o que vem a seguir. Dai este meu convite. Uns beijos primeiro, troca de essências e não pensar no que possa vir depois. E ficar por ai. Não preciso de mais. Assim temos pretexto para outro café. Para voltar a repetir e ir acrescentando qualquer coisa. Por exemplo uns sorrisos. Dar-nos aos poucos, para saborearmo-nos a cada momento. Sem pressa, sem ansias, sem medos. Uma descoberta na plenitude do tempo. A paixão é isto e talvez mais. Deixar-nos ir. Viver o momento e senti-lo de todas as maneiras, como se esses instantes fossem os mais importantes das nossas vidas. E são, independente do que venha a seguir. A felicidade é o agora. Aha. Lembrei-me não tomo café, pode ser um chá?

a.tereso