Gostaria de te conhecer ao ritmo do ciclo de uma flor
silvestre. Desde quando a semente brota na terra, sem qualquer intervenção e
inicia o seu percurso. Se pequena intervenção houver é por casualidade do
cosmo, em ritmo celeste numa compreensão singular de qualquer fenómeno. Se
explicação houvesse, que fosse empírica por não ser igual a nenhuma outra ação.
Se genérica, então breve para não se perder o detalhe, a minúcia. Uma harmonia
entre céu e terra que proporciona o germinar de uma semente. Algo sem pressa
nem ansiedade, num fluir simbiótico com cada estação. Sem perguntas nem
respostas, numa relação coerente entre os nutrientes que habitam o solo, e a
energia que provem do céu. Sol e chuva, e qualquer ação humana que possa
existir. Um desabrochar leve e doce, vivaz e seguro. Um verde caule que
desponta, se enraíza e cresce ao ritmo do que o circunda. Um fortalecer de
base, para que cada folha vingue no seu esplendor e função. Em cada
transformação e alimento diário a permissão para se continuar a crescer. A cada
geada e orvalho um sorriso, uma reação natural à cor e ao sentir as coisas. Na
primavera a vivacidade e um crescimento natural rumo àquilo que nos cumpre.
Florir, sem que a cor nos defina a espécie para que a singularidade permaneça a
cada instante. A cada florir o fruto de nós, do que somos e do que habita em nós
dentro e fora do caule. E para além da materialidade que possa existir, o mundo
num todo. Mesmo assim manteria a vontade de te conhecer de novo, e a cada fruto uma nova semente, um novo germinar.
a.tereso
(29.01.2014)


