07 março, 2014

Nós vivemos em uma cultura totalmente hipnotizada pela ilusão de tempo, na qual o chamado presente é sentido como uma pequena linha entre o ‘todo poderoso’ passado causativo e o ‘absurdamente importante futuro’. Não temos presente. Nossa consciência está quase completamente preocupada com memórias e expectativas. Nós não percebemos que nunca houve, há, ou haverá qualquer tipo de experiência além da experiência do momento. 
Portanto, nós estamos fora de contato com a realidade. Nós confundimos o mundo como ele é falado, descrito, e mensurado com o mundo do modo que ele na verdade é. Nós estamos doentes com uma fascinação pelo uso das ferramentas de nomes, números, símbolos, sinais, conceitos e ideias.

Alan Watts

06 março, 2014


Um homem que ama é puro ainda que possa ser sexual - (Krishnamurti)


"O homem intelectual, cheio de conhecimentos – o conhecimento é diferente da sabedoria -, o homem que tem esquemas, que quer salvar o mundo, que está cheio de conceitos, de projeções mentais, esse é o homem que está preso no sexo. Por causa da superficialidade de sua vida, do vazio de seu coração, o sexo se torna importante; e isso é o que está acontecendo na presente civilização. Temos cultivado excessivamente o nosso intelecto, e a mente se encontra presa em suas próprias criações, tais como o rádio, o automóvel, os entretenimentos mecânicos, o conhecimento tecnológico e aos diversos hobbies aos quais a mente se entrega. Quando uma mente se acha assim presa, para ela existe somente um alivio: o sexo. Senhores, observem o que ocorre com cada um de vocês, não olhem para outra pessoa. Ela é árida, vazia, opaca, tediosa, não é assim? Recorrem aos seus serviços, desempenham tarefas, repetem seus mantras, praticam seus rituais. Quando se encontram no serviço, estão submetidos, embotados, são obrigados a seguir uma rotina; em sua religião, se tornam mecânicos, aceitam meramente a autoridade.

Assim, religiosamente, no mundo dos negócios, na sua educação, na sua vida cotidiana, o que de fato ocorre? Não existe um estado de ser criativo, não é verdade?Não são felizes, não possuem vitalidade, não são pessoas alegres. Tanto no intelectual como no religioso, econômico, social e político, estão embotados, regimentados, não é assim? Essa regimentação é o resultado de seus próprios temores, de suas próprias esperanças e frustrações; e posto que para uma ser humano tão atrapalhado não há liberação possível, é natural que recorra ao sexo para liberar-se; ali pode dar-se o gosto, ali pode buscar a felicidade. Deste modo, o sexo se torna automático, habitual, rotineiro; e isso também chega a ser um processo embotador e nocivo. De fato, essa é a vida de vocês; verão que é assim se a consideram, se não tratam de se iludir, de buscar por mecanismos de fuga. O fato real é que não são criativos. Podem engendrar criaturas, inumeráveis criaturas, porém, isso não é uma ação criativa, é uma ação acidental da existência. 

Portanto, uma mente que não é alerta, vital, um coração que não é afetuoso, pleno, como pode ser criativo? E, ao não serem criativos, vocês buscam estímulo por meio do sexo, do entretenimento, dos cinemas, teatros, observando como outros interpretam enquanto vocês permanecem como meros expectadores; outros pintam a paisagem ou dançam, e vocês não são mais do que observadores. Isso não é criação. Assim mesmo, no mundo são impressos tantos livros porque vocês tão somente lêem. Não são criadores. Onde não há criação, a única liberação é mediante ao sexo, e então, convertem suas esposas em prostitutas, Senhores, vocês não tem idéias das implicações, da perversidade, da crueldade de tudo isto. Se é que se sentem incomodados. Não pensam sobre isso. Fecham suas mentes; em conseqüência, o sexo se tornou um imenso problema na moderna civilização: ou a promiscuidade ou o hábito mecânico doa Lívio sexual no matrimonio. O sexo continuará sendo um problema, no entanto não há um estado criativo do ser. Vocês podem usar o controle da natalidade, podem adotar diversas práticas, porém, não estão livres do sexo. A sublimação não é liberdade, nem o é a repressão nem o controle. Existe liberdade somente quando há afeto, quando há amor. O amor é puro e, quando falta o amor, tratar de nos tornar puros mediante a sublimação do sexo é mera estupidez. O fator purificante é o amor, não o nosso desejo de ser puros. O homem que ama é puro ainda que possa ser sexual; e sem amor, atualmente o sexo é o que é em suas vidas: uma rotina, um processo desagradável, algo para ser evitado, ignorado, para prescindir dele para comprazer-se nele." 

OBRAS COMPLETAS, Volume V – Bangalore, 8 de agosto de 1948

05 março, 2014

Se me aproximar

Se me aproximar devagar será que vais fugir?
ou se vou conseguir mais um tempo ao teu lado?
para te entreter mais um pouco ou te fazer sorrir
para ti ou pelo sonho vamos juntos viajar.
Medo é desculpa em leve chuva
e querer morrer de amor não é historia de outro tempo.
Mas se formos novos de novo
Mas se formos juntos
vamos poder respirar


Se me desculpar entretanto
será que vais passar?
se fingir não querer
pode ser que não te entregue esta leve dor em tom de chuva
por não querer fugir
por ti ou pelo sonho não consigo desprender
medo é fraqueza como nuvem
e querer morrer de amor nunca é historia de outro tempo
mas se formos novos de novo
mas se formos juntos
vamos poder respirar.


Letra e Música: Tiago Bettencourt
https://www.youtube.com/watch?v=bCZdvIqDVKU

BORBOLETAS

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de
se decepcionar é grande.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.

O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

MARIO QUINTANA

04 março, 2014

Ânsia ardente (“Longing”). Conhecem a sensação. É aquela dor de sentir que algo vital está a faltar à nossa vida; uma sede profunda de mais. Mais sentido, mais conexão, mais energia – mais alguma coisa. O ansiar ardente é aquela impressão que flui pelo nosso corpo imediatamente antes de tomarmos consciência que estamos inquietos, sós ou infelizes.

Ansiar assim não é apenas outro estado mental. É profundamente fís
ico. O nosso corpo deseja ardentemente algum nutriente essencial que não está a receber e todavia não podemos propriamente apontar com o dedo o que seja. Por vezes podemos entorpecer esta dor com um profundo mergulho no trabalho, na tagarelice, na televisão ou no jogar a dinheiro. Contudo, mais frequentemente do que o contrário, estas e outras tentativas para preencher o vazio doloroso são meramente distracções temporárias. A ânsia não nos larga. Ela segue-nos como uma sombra, insistentemente, tornando as distracções ainda mais atractivas. E as distracções abundam – aquele segundo ou terceiro copo de vinho, aquela corrente de textos e tweets, aquele sofá e controle remoto.

A questão é que a comida abunda na nossa vida. E água limpa para beber está tão perto como a mais próxima torneira e é virtualmente ilimitada. Temos acesso a um ar razoavelmente limpo e a um abrigo adequado. Essas necessidades básicas há muito que foram satisfeitas. Aquilo pelo qual agora ansiamos é de longe mais intangível.

Aquilo pelo qual ansiamos é amor. Sejamos solteiros ou não, passemos largamente os nossos dias em isolamento ou imediatamente rodeados pela emoção da conversa, o amor é o nutriente essencial que as nossas células desejam ardentemente: uma verdadeira conexão carregada de positividade com os outros seres vivos.

- Barbara Frederikson, Love. How our supreme emotion affects everything we feel, think, do and become, Nova Iorque, Hudson Street Press, 2013, pp.3-4.

Não sei quantas vidas já tive, ou irei ter, mas a que tenho guardarei para te amar, correndo o risco de estar a querer repetir tudo o que lá para trás deixei. Se nunca te amei antes noutra vida, é porque levei todas essas vidas para te encontrar e merecer. Se por ventura te amei e não dou conta, ao querer faze-lo é por sentir que vale a pena tudo de novo. Sempre que tiver uma nova vida será para te amar. E a cada amar uma nova vida. Talvez escreva do que não saiba, ou do que não vivo, mas escrevo pelo que sinto. Um sentir in consciente, interior, com uma energia calma e serena. Se nesta vida ainda não for o momento, estou certo que nos voltaremos a encontrar. Não te sei dizer nada mais que isto, porque não cabe nas palavras. Somos para além da carne que carregamos e do tempo. Poderei não te ter em todos os corpos onde habito, mas estás em mim em cada espírito.

a.tereso
(meandros do mês de fevereiro)

03 março, 2014


"Dancemos no Mundo" de Sérgio Godinho
Sozinho adormeço
E em teu corpo apareço
Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo
Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só
Em passos tão simples
trocar endereços
num mundo de acessos
ar onde sufocas
lugar de supostas trocas
Separam-nos facas
separam-nos fatwas
pai-nossos e datas
e excomunhões
acondicionando paixões
Acenda-se a tua
luz na minha rua
Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo