17 março, 2014

Roda (a Saia) dos Alimentos

Cores e sabores da serra e do mar,
pela sua saúde e bem estar!

O que nos alimenta é fruto de uma troca que mantemos com o que nos rodeia, em consciência da importância que esse alimento tem para o nosso bem estar, de modo a nos permitir viver na plenitude do nosso ser. Para além dos alimentos sólidos que nos dá a Mãe Natureza, vivemos de estados energéticos pouco palpáveis que nos permitem assimilar emoções e sentimentos que nos preenchem o outro lado da vida.

A nossa “alimentação” pode melhorar a nossa energia, vitalidade e flexibilidade assim como o nosso bem estar mental e criatividade. O estar bem nutrido permite-nos desenvolver as nossas capacidades intuitivas, instintivas e intelectuais e consente-nos chegar a níveis mais elevados de crescimento espiritual. Relevamos saúde se estivermos em sintonia com o que sentimos, pensamos, dizemos e fazemos, numa consciência e aceitação com o que nos envolve.

O aspeto espiritual da alimentação compreende a escolha, a preparação, a aceitação e o ato de mastigar a comida. O alimento que é selecionado com cuidado, preparado com amor, aceite com gratidão e ingerido com pureza, torna-se um tônico para a alma e para o corpo. O ingrediente básico é a consciência. Onde a consciência é limpa, preenchida com amor e desapego, a comida é purificada e isso também purifica o corpo. Como resultado, a mente torna-se limpa, ficando livre de desejos e da atração aos órgãos dos sentidos. Importa também referir, que nessa escolha, conhecimento é necessário flexibilidade e reajuste a cada momento em que vivemos.

Alimente-se num todo, tirando partido de cada parte. Consuma alimentos saudáveis, de produção biológica e sazonal, com diversidade e de preferência não refinados. Opte por um estilo de vida simples e descontraído, faça desporto, dance, e sobretudo partilhe e dê amor a quem o rodeia.

Temos o livre arbítrio para escolhermos comer e viver como quisermos, mas há uma responsabilidade inerente a cada uma das escolhas que fazemos. Não existem alimentos proibidos mas existe um critério a partir do qual podemos escolher duma forma mais responsável e consciente. A nossa saúde e a felicidade começam em cada um de nós, e as nossas vidas são em grande parte, um reflexo das nossas escolhas e prioridades.

Neste festival pretendemos aos poucos sensibilizar e demonstrar a importância da “alimentação” e dos nossos hábitos de vida para a nossa saúde, bem estar e despertar de consciência.


a.tereso



DANÇA DOS MERIDIANOS


Dançar é celebrar a vida nos seus vários campos, viver em harmonia com a (nossa) natureza que nos envolve.  Dançar é partilhar de nós na nossa verdadeira essência, é criar diálogos com a energia cósmica num movimento fluido, transparente e consciente daquilo que representamos. Dançar é sorrir cada dia e sermos, aceitarmos e fazermos o que vem de dentro de nós. E nós somos energia, importa que ela todos os dias possa fluir como se de uma simples dança se tratasse.
Convidamo-lo então a dançar num todo, conhecendo os vários canais energéticos do nosso corpo, num simples dar de mãos com a dança. Em simples exercícios desenvolver uma maior consciência de quem somos, do nosso corpo, permitindo-nos libertar na dança através da nossa criatividade e inocência.

O projeto tem como objetivo integrar a dança com exercício fluidos de interligação com alguns sistemas de autocura.
Neste caso partindo do conhecimento dos meridianos, pretende-se entrelaçar este conhecimento com o DO-IN, e zonas reflexas do nosso corpo. O DO-IN (de forma muito simples) é uma conhecimento milenar de automassagem e cuja prática estimula a auto cura e neste processo promove a circulação de energia.

O nosso corpo tem centenas de pontos que compõem estes meridianos. Se os estimularmos, mesmo que de forma ténue, conseguimos ativar a energia do nosso corpo. Este processo de conhecimento do nosso corpo também permite fazer uma ligação mais intima entre nós (cabeça) e nós (corpo/emoção).

Reunir este conhecimento numa dança é uma forma descontraída de apresentar estes sistemas e permite uma fácil absorção de conhecimentos. O prazer da dança no contacto com nós mesmos e com outros será refletida no prazer de sermos capazes de cuidarmos de nós mesmos.

Pretende-se então desenvolver uma oficina que entrelace a dança, o movimento  com o conhecimento sensorial do nosso corpo, em formas de expressão, que de certo modo possam ser uma simples terapia de relaxamento e permissão sensorial.

a.torres/ a.tereso

P.s. - Texto de candidatura para para o Andanças 2014. 

14 março, 2014

memória


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão

carlos drummond de andrade

Desenvolveu-se uma nova repartição no meu coração sem que alguém saiba explicar como e porquê. Desconfio até que já existisse e só agora tenha sido preenchida. Não se assemelha a nenhum ventrículo e a nenhuma artéria. Não dói por estar cheia, nem criava angustia quando estava meio vazia. Não sei se tem nome, mas penso que lhe dei função. Não bombeia sangue, nem armazena, o seu papel não é meramente mecânico. Os meus sonhos cabem nesse espaço e ai os aprendi a armazenar. É pequeno, sequer sonho muito. Um dia se o meu coração parar de bater sei que não vai parar por completo. A energia que tem lá dentro não se acaba, continuará até que se acabe estrelas no céu. Não existe explicação para aquilo que tem o seu lugar. Como veio, poderá um dia ir, sem que seja necessário entender e saber porquê. Esta bolha que tenho cá dentro, pode ser da dimensão do universo, porque poderá ter o mesmo entendimento e pequenez. E sabem, o tamanho das coisas são como nós as vemos, e não mais que isso. O meu universo está nesta pequena repartição que se apoderou do meu coração, e lá cabe tudo quanto eu imagino e sonho. Por mais que eu lá queira por as minhas ilusões, lá não entram por o espaço estar confiado a mim, ao que sou e quero ser. Ser um pouco de cada nada no preenchimento dos vazios que me habitam, e me permitem libertar no despertar do que sinto. Mas mais alguma coisa houvesse para lá deixar, e não teria o que lá mais pôr. A cada vazio um preenchimento, uma bolha de ar que oxigena o sangue que nutre cada célula em mim. Esse espaço é o núcleo do meu ser que me alimenta e transporta para a tua dimensão. Uma outra que só agora descobri mas que preencho a cada noite com vias lácteas de estrelas e com infinitos asteróides para que vejas a imensidão deste planeta que tenho para ti. 

a.tereso

Senti uma vontade violenta de me desmoronar em ti. Não, não era fazer amor. Fazer amor não existe, porra, o amor não se faz. O amor desaba sobre nós já feito, não o controlamos – por isso o sistema se cansa tanto a substituí-lo pelo sexo, coisa gráfica, aparentemente moldável. Também não era foder, fornicar, copular – essas palavras violentas com que tentamos rebentar o amor. Como se fosse possível. Como se o amor não fosse exactamente essa fornicação metafísica que não nos diz respeito – sofremos-lhe apenas os estilhaços, que nos roubam vida e vontade. Eu queria oferecer-te o meu corpo para que o absorvesses no teu. Para que me fizesses desaparecer nos teus ossos. Eu, educado no preceito alimentar de que os rapazes comem as raparigas, depois de uma vida inteira de domínio dos talheres queria agora ser comido por ti. Queria entregar-me nas tuas mãos.

in "Fazes-me falta" de Inês Pedrosa