26 março, 2014


Paperman



Uma das animações que mais gosto. 
Algo que me transmite muito e me permite aceitar como sou. 
Para quem acredita em pequenas e grandes coisas!

https://www.youtube.com/watch?v=1QAI4B_2Mfc

Animais que somos!

https://www.youtube.com/embed/WfGMYdalClU

24 março, 2014

Ilha dos Vidros

Venho da ilha dos vidros,
Da praia dos diamantes.
Ando no mundo perdida
Pelos teus olhos brilhantes.

Pelos teus olhos brilhantes,
Pelo teu rosto de prata.
Ter amores não me custa,
Deixá-los é que me mata.

Os teus olhos é que são
A causa de eu te querer bem,
Que não me deixam tomar
Amizade a mais ninguém.

Os meus olhos de tão tristes
Choram pedrinhas de sal.
É para que saibas, amor,
Que só me fazes é mal.

Venho da ilha dos vidros,
Da praia dos diamantes.
Ando no mundo perdida
Pelos teus olhos brilhantes.

Pelos teus olhos brilhantes,
Pelo teu rosto de prata.
Ter amores não me custa,
Deixá-los é que me mata.

21 março, 2014


à atemporalidade e ao tempo igual,
o amor não tem início nem final:
se nada andar nadar nem respirar
o amor serão o vento a terra e o mar
(amantes sofrem? cada divindade
lhes veste a pele com mortal vaidade:
amantes são felizes? seu querer
cria universos ao menor prazer)
amor é a voz por trás do que se cala,
esperança que o medo não cancela:
força tão forte que nem força abala:
verdade antes do sol e além da estrela
– amantes amam? ora, o tolo e o esperto
que preguem céu e inferno, tudo certo

e. e. cummings
Existem
Tantas posições no amor:

Cada curva em um galho,

De mil maneiras diferentes
Seus olhos podem abraçar-nos,

As formas infinitas sua
Mente pode desenhar,

A Orquestra de perfumes, Primavera

As correntes de luz entram em combustão
Como os lábios apaixonados,

A revolução da saia da existência
Cujas dobras contêm outros mundos.

A cada suspiro que cai contra
Seu inconcebível
Onipresente
Corpo."


(Hafiz)

20 março, 2014


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


PABLO NERUDA

18 março, 2014

Desfloras-me
desfloro-te
porque temos flores
um para o outro
o teu ritmo
em mim
sobre mim
tão novo
para mim
é muito antigo
é como o dos animais
ganho a minha virgindade
que te dou
e que não perco
sou sempre virgem
a minha dor
o meu sangue
são a tua dor
o teu sangue

Adília Lopes
Portugal 1960
in “Dobra – Poesia Reunida"
Assirio & Alvim