10 junho, 2014


Os Pêssegos

Lembram adolescentes nus:
a doirada pele das nádegas
com marcas de carmim, a penugem
leve, mais encrespada e fulva
em torno do sexo distendido
e fácil, vulnerável aos desejos
de quem só o contempla e não ousa
aproximar dos flancos matinais
a crepuscular lentidão dos dedos.


Eugénio de Andrade
O passado é uma memória, é um pensamento que surge no presente.
O futuro é apenas uma antecipação, é outro pensamento que surge no agora.
O que verdadeiramente temos é este momento, só isso.
Passamos a maior parte de nossas vidas esquecendo esta verdade, fugindo dela, olhando por cima dela.
E o horror é que temos sucesso nisso.
Conseguimos nunca nos conectar com o momento presente e encontrar a satisfação aqui e agora, porque estamos sempre com a esperança de ser feliz no futuro.
E o futuro nunca chega.
Mesmo quando pensamos que estamos no momento presente, de forma muito sutil, muitas vezes estamos olhando por cima dele, antecipando em nossas mentes o que está por vir.
Estamos sempre buscando a solução de um "problema".
E é possível simplesmente deixar o problema, seja que só por um momento e aproveitar o que é real na sua vida no presente.
Esta não é uma questão de novas informações ou obter mais informações, ela exige uma mudança de atitude.
Isso requer uma mudança na atenção à sua experiência no momento presente.


Fonte: Livro 'O Poder do Agora'
Eckhart Tolle

Um homem que ama é puro ainda que possa ser sexual

"O homem intelectual, cheio de conhecimentos – o conhecimento é diferente da sabedoria -, o homem que tem esquemas, que quer salvar o mundo, que está cheio de conceitos, de projeções mentais, esse é o homem que está preso no sexo. Por causa da superficialidade de sua vida, do vazio de seu coração, o sexo se torna importante; e isso é o que está acontecendo na presente civilização. Temos cultivado excessivamente o nosso intelecto, e a mente se encontra presa em suas próprias criações, tais como o rádio, o automóvel, os entretenimentos mecânicos, o conhecimento tecnológico e aos diversos hobbies aos quais a mente se entrega. Quando uma mente se acha assim presa, para ela existe somente um alivio: o sexo. Senhores, observem o que ocorre com cada um de vocês, não olhem para outra pessoa. Ela é árida, vazia, opaca, tediosa, não é assim? Recorrem aos seus serviços, desempenham tarefas, repetem seus mantras, praticam seus rituais. Quando se encontram no serviço, estão submetidos, embotados, são obrigados a seguir uma rotina; em sua religião, se tornam mecânicos, aceitam meramente a autoridade.

Assim, religiosamente, no mundo dos negócios, na sua educação, na sua vida cotidiana, o que de fato ocorre? Não existe um estado de ser criativo, não é verdade?Não são felizes, não possuem vitalidade, não são pessoas alegres. Tanto no intelectual como no religioso, econômico, social e político, estão embotados, regimentados, não é assim? Essa regimentação é o resultado de seus próprios temores, de suas próprias esperanças e frustrações; e posto que para uma ser humano tão atrapalhado não há liberação possível, é natural que recorra ao sexo para liberar-se; ali pode dar-se o gosto, ali pode buscar a felicidade. Deste modo, o sexo se torna automático, habitual, rotineiro; e isso também chega a ser um processo embotador e nocivo. De fato, essa é a vida de vocês; verão que é assim se a consideram, se não tratam de se iludir, de buscar por mecanismos de fuga. O fato real é que não são criativos. Podem engendrar criaturas, inumeráveis criaturas, porém, isso não é uma ação criativa, é uma ação acidental da existência. 

Portanto, uma mente que não é alerta, vital, um coração que não é afetuoso, pleno, como pode ser criativo? E, ao não serem criativos, vocês buscam estímulo por meio do sexo, do entretenimento, dos cinemas, teatros, observando como outros interpretam enquanto vocês permanecem como meros expectadores; outros pintam a paisagem ou dançam, e vocês não são mais do que observadores. Isso não é criação. Assim mesmo, no mundo são impressos tantos livros porque vocês tão somente lêem. Não são criadores. Onde não há criação, a única liberação é mediante ao sexo, e então, convertem suas esposas em prostitutas, Senhores, vocês não tem idéias das implicações, da perversidade, da crueldade de tudo isto. Se é que se sentem incomodados. Não pensam sobre isso. Fecham suas mentes; em conseqüência, o sexo se tornou um imenso problema na moderna civilização: ou a promiscuidade ou o hábito mecânico doa Lívio sexual no matrimonio. O sexo continuará sendo um problema, no entanto não há um estado criativo do ser. Vocês podem usar o controle da natalidade, podem adotar diversas práticas, porém, não estão livres do sexo. A sublimação não é liberdade, nem o é a repressão nem o controle. Existe liberdade somente quando há afeto, quando há amor. O amor é puro e, quando falta o amor, tratar de nos tornar puros mediante a sublimação do sexo é mera estupidez. O fator purificante é o amor, não o nosso desejo de ser puros. O homem que ama é puro ainda que possa ser sexual; e sem amor, atualmente o sexo é o que é em suas vidas: uma rotina, um processo desagradável, algo para ser evitado, ignorado, para prescindir dele para comprazer-se nele." 

OBRAS COMPLETAS, Volume V – Bangalore, 8 de agosto de 1948
j. krishnamurti

09 junho, 2014


Conseguir:
Unir a alma e o espírito em uma unidade inseparável
Ter o sopro maleável de uma criança
Polir a visão interior até torná-la sem mácula
Amar os homens e reger o estado sem-agir
No abrir e fechar da porta do céu ser como a fêmea de um pássaro
Penetrar nos quatro quadrantes sem saber.
Gerar e criar
Gerar e não possuir
Agir sem depender
Presidir e não controlar.
Eis a vida secreta.

Dao De Jing

04 junho, 2014

DIVINA MÃE 

Ao tocar minhas mãos
me presenteou com a cura 
e abriu as portas para a Verdade.
Ao sorrir
me uniu ao seu amor
e nos tornamos um só coração.
Com um único olhar
tomou meu Ser

e revelou a Presença que EU SOU!

Agora,
EU SOU amor, sabedoria e poder divino
EU SOU a Luz e Unidade Divina
EU SOU gratidão!

Eu sou o que EU SOU,
... UM!


Vishuddha Prakriti

Dança Balança Europeu e Nacional


um jogo de cadeiras, um jogo de poder

Venho por este meio fazer um balanço das ultimas eleições europeias, e perspetivar as próximas eleições legislativas.
Atualmente verifico o que outrora se apelidou de Decadentismo Europeu, pela fragmentação que se evidência a nível estratégico, económico e social na Europa. Há cada vez mais desemprego, subjugação e pobres (de barriga e espírito), isso leva a que partidos extremistas ganhem evidência e poder nos seus países, com os seus programas nacionalistas, estratégias extremistas de apoio ao emprego, semicerrando-se em si e ao mundo. Os partidos do poder, apesar de o manterem, deixam aos poucos a sua supremacia, evidenciando algum nervosismo, pelo surgimento de novos partidos e (novas) forças políticas.
Surge também com maior expressão os partidos ecológicos/ verdes, com ideias arejadas e com estratégias ajustadas a um novo mundo globalizado e consumista, que se esquece de viver em comunidade, com princípios comuns e harmonia com a (sua) Natureza. Importa perceber a aplicabilidade dessas ideias, e a capacidade desses partidos em colocar em prática essas estratégias.
Creio que parte desse decadentismo se deve à classe que ocupou/ ocupa o setor político. Na origem da democracia, e nem sempre assim era, quem assumia a RESPONSABILIDADE política eram individualidades com experiencia e provas dadas na sociedade que assumiam esse papel pelos seus valores e práticas. Essas individualidades, apesar de nem sempre o fazerem na sua plenitude, defendiam um bem comum, através de uma estratégia imparcial e idónea. Mas esses princípios já não regem os políticos e quem faz política, e o governo é em seu interesse e não sob o lema do interesse comum.
A verdade é que já poucos sabem quais são os seus verdadeiros interesses, iludindo-se e esquivando-se das suas responsabilidades enquanto cidadãos, delegando a outros o poder que lhes cabe. A abstenção é um não partido, que a cada votação ganha mais força, e que se apela que resolva o que cada um pode resolver. Importava dar expressão aos votos em branco e nulos, para averiguar a veracidade da abstenção e perceber se o desinteresse era pela política ou na falta de ideias e estratégias da classe política. A este respeito existe medo.
O que se passa a  nível interno é o que se passa na generalidade dos países (sobretudo os latinos). A classe política vive para a oposição, o não confronto de ideias e soluções. Política do “bota a baixo”, do “eu faço diferente”, “as tuas ideias não servem”, “quando para ai for faço melhor e diferente”, ect..

Nestas eleições europeias o partido que proclamou vitória foi o que mais perdeu, pela sua arrogância e falta de verdade, terminando numa crise interna e de valores políticos no seio do seu partido. A meu ver este resultado indica que o PS é visto com reticências para assumir a governação do país, e isso é uma grande derrota. Mas houve mais derrotados. O partido do (des)governo, apesar da aliança e do programa delineado para o país, sai com uma derrota amena pois quase obteve um empate percentual com o partido vencedor. O PSD nunca sozinho tinha obtido tão pequena percentagem (inf.30%), e tendo concorrido em aliança com o CDS-PP não chegou a obter essa percentagem. Foi uma grande derrota para ambos os partidos da coligação, mas que passa despercebida não tendo o PS atingido uma vitória esmagadora. Importa perceber o que irá acontecer no futuro. O voto útil nestas eleições ficou numa individualidade que não tem medo de falar, e diz o que o que se quer ouvir. Importa perceber se com o tempo não cairá no mercantilismo partidário e ficará sem voz.
Importa perspetivar as próximas legislativas, e tecer algumas reflecções sobre o que se passou nestas europeias. É certo que estes atos eleitorais são distintos, mas percebe-se que se as legislativas fossem hoje, existiria quase um empate entre as forças habituais do poder PSD e PS, e que a governabilidade só era possível com entendimento e dialogo entre partidos.
É muito possível que os partidos da coligação (PPD-PSD e CDS-PP) não irão concorrer às legislativas como aliança, para não perderem votos, e o PS irá ter um novo líder, que transmita mais confiança e capacidade de liderança, de modo a alterar este panorama político de desgovernação futura por não entendimento e falta de maioria política.
Creio que a solução é o diálogo interpartidário e isso deve de uma vez por todas acontecer. Mas não só entre partidos habituais do poder, com vícios e doenças que não tem cura. Importa dar expressão a novos partidos que surgiram ou possam surgir, com novas ideias e valores, para que a classe política vigente possa entender que é tempo de mudar, e de criar diálogos entre partidos, para que num todo se crie uma estratégia em conjunto de governabilidade, com responsabilidade e diálogo critico.
Importa neste tempo que ainda falta, cada um criar o seu partido, fazer uma avaliação do seu estado, dos seus objetivos, de modo a perceber que estratégia quer para este mundo em mudança. A mudança começa em cada um de nós, assumindo as suas responsabilidades, e deixando de lado o umbiguismo, partido que se apoderou de todos nós, e que não nos permite viver em liberdade e consciência com a (nossa) natureza. A política somos nós, e nós é que fazemos política! 
a.tereso

03 junho, 2014

As vezes que morri
boca derramada entre os teus seios,
todas essas vezes
não me deram luto
porque, de mim, eu em ti nascia.

Todos esses abismos,

meu amor,
não me deram regresso.

Depois de ti, 

não há caminhos.

Porque eu nasci

antes de haver vida,
depois de tu chegares.

Mia Couto