um jogo de cadeiras, um jogo de poder
Venho por este meio fazer um balanço das ultimas eleições
europeias, e perspetivar as próximas eleições legislativas.
Atualmente verifico o que outrora se apelidou de Decadentismo
Europeu, pela fragmentação que se evidência a nível estratégico, económico e
social na Europa. Há cada vez mais desemprego, subjugação e pobres (de barriga
e espírito), isso leva a que partidos extremistas ganhem evidência e poder nos
seus países, com os seus programas nacionalistas, estratégias extremistas de
apoio ao emprego, semicerrando-se em si e ao mundo. Os partidos do poder, apesar
de o manterem, deixam aos poucos a sua supremacia, evidenciando algum
nervosismo, pelo surgimento de novos partidos e (novas) forças políticas.
Surge também com maior expressão os partidos ecológicos/
verdes, com ideias arejadas e com estratégias ajustadas a um novo mundo
globalizado e consumista, que se esquece de viver em comunidade, com princípios
comuns e harmonia com a (sua) Natureza. Importa perceber a aplicabilidade
dessas ideias, e a capacidade desses partidos em colocar em prática essas
estratégias.
Creio que parte desse decadentismo se deve à classe que ocupou/
ocupa o setor político. Na origem da democracia, e nem sempre assim era, quem
assumia a RESPONSABILIDADE política eram individualidades com experiencia e
provas dadas na sociedade que assumiam esse papel pelos seus valores e
práticas. Essas individualidades, apesar de nem sempre o fazerem na sua
plenitude, defendiam um bem comum, através de uma estratégia imparcial e idónea.
Mas esses princípios já não regem os políticos e quem faz política, e o governo
é em seu interesse e não sob o lema do interesse comum.
A verdade é que já poucos sabem quais são os seus verdadeiros
interesses, iludindo-se e esquivando-se das suas responsabilidades enquanto cidadãos,
delegando a outros o poder que lhes cabe. A abstenção é um não partido, que a
cada votação ganha mais força, e que se apela que resolva o que cada um pode
resolver. Importava dar expressão aos votos em branco e nulos, para averiguar a
veracidade da abstenção e perceber se o desinteresse era pela política ou na
falta de ideias e estratégias da classe política. A este respeito existe medo.
O que se passa a nível
interno é o que se passa na generalidade dos países (sobretudo os latinos). A classe
política vive para a oposição, o não confronto de ideias e soluções. Política
do “bota a baixo”, do “eu faço diferente”, “as tuas ideias não servem”, “quando
para ai for faço melhor e diferente”, ect..
Nestas eleições europeias o partido que proclamou vitória foi
o que mais perdeu, pela sua arrogância e falta de verdade, terminando numa
crise interna e de valores políticos no seio do seu partido. A meu ver este
resultado indica que o PS é visto com reticências para assumir a governação do
país, e isso é uma grande derrota. Mas houve mais derrotados. O partido do
(des)governo, apesar da aliança e do programa delineado para o país, sai com
uma derrota amena pois quase obteve um empate percentual com o partido
vencedor. O PSD nunca sozinho tinha obtido tão pequena percentagem (inf.30%), e
tendo concorrido em aliança com o CDS-PP não chegou a obter essa percentagem. Foi
uma grande derrota para ambos os partidos da coligação, mas que passa
despercebida não tendo o PS atingido uma vitória esmagadora. Importa perceber o
que irá acontecer no futuro. O voto útil nestas eleições ficou numa
individualidade que não tem medo de falar, e diz o que o que se quer ouvir.
Importa perceber se com o tempo não cairá no mercantilismo partidário e ficará
sem voz.
Importa perspetivar as próximas legislativas, e tecer algumas
reflecções sobre o que se passou nestas europeias. É certo que estes atos
eleitorais são distintos, mas percebe-se que se as legislativas fossem hoje,
existiria quase um empate entre as forças habituais do poder PSD e PS, e que a governabilidade
só era possível com entendimento e dialogo entre partidos.
É muito possível que os partidos da coligação (PPD-PSD e
CDS-PP) não irão concorrer às legislativas como aliança, para não perderem
votos, e o PS irá ter um novo líder, que transmita mais confiança e capacidade
de liderança, de modo a alterar este panorama político de desgovernação futura
por não entendimento e falta de maioria política.
Creio que a solução é o diálogo interpartidário e isso deve
de uma vez por todas acontecer. Mas não só entre partidos habituais do poder,
com vícios e doenças que não tem cura. Importa dar expressão a novos partidos
que surgiram ou possam surgir, com novas ideias e valores, para que a classe
política vigente possa entender que é tempo de mudar, e de criar diálogos entre
partidos, para que num todo se crie uma estratégia em conjunto de
governabilidade, com responsabilidade e diálogo critico.
Importa neste tempo que ainda falta, cada um criar o seu
partido, fazer uma avaliação do seu estado, dos seus objetivos, de modo a
perceber que estratégia quer para este mundo em mudança. A mudança começa em
cada um de nós, assumindo as suas responsabilidades, e deixando de lado o
umbiguismo, partido que se apoderou de todos nós, e que não nos permite viver
em liberdade e consciência com a (nossa) natureza. A política somos nós, e nós
é que fazemos política!
a.tereso