Truque do meu amigo da rua
ao acaso encontrei-te encostado a uma esquina
olhar vazio varrendo a multidão, parei
sorri e tu vieste, fomos andando
os ombros tocavam-se, em direcção a casa
pediste-me para tomar um duche, eu deitei-me
ouvi o barulho da água resvalando pelo teu corpo sujo de
cidade e de engates
sujo pelos dias e noites e mais dias que te não tive
esperei-te deitado, outro cigarro
e ainda espero
gosto dos corpos que riem, frescos
rasgam-se à ternura nocturna dos dedos, e ao desejo
húmido da boca, que sempre percorre e descobre
tacteio-te de alto a baixo
reconhecendo-te num gemido que também me pertence, no escuro
contaste-me uma improvável aventura de tarzan, ouvia-te
e no silêncio do quarto fulguravam aves que só eu via
sorri ao enumerar os restos que a manhã encontraria pelo chão
manchas de esperma, ténis esburacados, calças sujíssimas,
blusão cheio de autocolantes, peúgas encortiçadas pelo suor
as cuecas rotas, sujas de merda
e tuas mãos, recordo-me
sobretudo de tuas mãos imensas sobre o peito
teu corpo nu, à beira da cama, em sossegado sono
al berto
24 junho, 2014
23 junho, 2014
A Ervilha Cor de Rosa
rosa pomar.
fazer é poder.
Profissão: ______________
Hesito sempre antes de preencher o espaço em branco. Mãe blogger que tem uma loja e um interesse porovelhas difícil de explicar em geral não cabe nem serve, mas está próximo da realidade. Não sou artesã, não estudei para designer e não cheguei bem a ser historiadora nemilustradora, pelo menos nas formas mais convencionais.
Nos anos mais recentes a investigação e o trabalho de campo passaram a ocupar uma boa parte do meu tempo. Daí nasceram, entre outras coisas, o livro Malhas Portuguesas (Março de 2013), sobre a história e a prática tradicional do tricot em Portugal, e o projecto Lã em Tempo Real (desde 2011, com o Tiago Pereira), um documentário aberto e em fascículos sobre o ciclo artesanal da lã.
Os namorados pobres
O namorado dá
flores murchas
à namorada
e a namorada come as flores
porque tem fome
Não trocam cartas
nem retratos nem anéis
porque são pobres
Mas um dia
têm muito medo
de se esquecerem
um do outro
então apanham
um cordel
do chão
cortam o cordel
e trocam alianças
feitas de cordel
Não podem
combinar encontros
porque não têm
número de telefone
nem morada
assim encontram-se
por acaso
e têm medo
de não se voltarem
a encontrar
O acaso
não os favorece
Decidem nunca sair
do mesmo sítio
e ficarem sempre juntos
para não se perderem
um do outro
Procuram um sítio
mas todos os sítios
têm dono
ou mudam de nome
Então retiram
dos dedos
os anéis de cordel
atam um anel
ao outro
e enforcam-se
Mas a namorada
tem de esperar
pelo namorado
porque o cordel
só dá par[a] um
de cada vez
O namorado
descansa à sombra
da figueira
e a namorada
baloiça
na figueira
O dono da figueira
zanga-se
com os namorados pobres
porque julga
que estão a roubar figos
e a andar de baloiço
adília lopes
O namorado dá
flores murchas
à namorada
e a namorada come as flores
porque tem fome
Não trocam cartas
nem retratos nem anéis
porque são pobres
Mas um dia
têm muito medo
de se esquecerem
um do outro
então apanham
um cordel
do chão
cortam o cordel
e trocam alianças
feitas de cordel
Não podem
combinar encontros
porque não têm
número de telefone
nem morada
assim encontram-se
por acaso
e têm medo
de não se voltarem
a encontrar
O acaso
não os favorece
Decidem nunca sair
do mesmo sítio
e ficarem sempre juntos
para não se perderem
um do outro
Procuram um sítio
mas todos os sítios
têm dono
ou mudam de nome
Então retiram
dos dedos
os anéis de cordel
atam um anel
ao outro
e enforcam-se
Mas a namorada
tem de esperar
pelo namorado
porque o cordel
só dá par[a] um
de cada vez
O namorado
descansa à sombra
da figueira
e a namorada
baloiça
na figueira
O dono da figueira
zanga-se
com os namorados pobres
porque julga
que estão a roubar figos
e a andar de baloiço
adília lopes
SENTIR
“Sentir, ser diferente, mudar o som, crescer, explodir, voar, livre sem pensar”.
Pé na terra
https://www.youtube.com/watch?v=PIxoQoC8a84
Os Pé na Terra surgem do resultado de um entrelaçado de ideias e desejos musicais que os vários membros do grupo transportam em si. Através de temas originais e da recolha e interpretação de temas tradicionais portugueses, onde a poesia e a dança se complementam, geram a energia que os uniu neste projecto.
“Sentir, ser diferente, mudar o som, crescer, explodir, voar, livre sem pensar”.
Pé na terra
https://www.youtube.com/watch?v=PIxoQoC8a84
Os Pé na Terra surgem do resultado de um entrelaçado de ideias e desejos musicais que os vários membros do grupo transportam em si. Através de temas originais e da recolha e interpretação de temas tradicionais portugueses, onde a poesia e a dança se complementam, geram a energia que os uniu neste projecto.
O teu baton
O tempo trás as premissas do desejo
e invade-me o ambiente interno
de forma subtil pela timidez,
que eu sou junto daquilo que tu és.
Permite-me que queira que esse baton,
e algo mais também se possível
deixe marcas pelo meu corpo,
e me preencha a alma em sentido único.
Entrelaço-te no entretanto de uma simples música,
que harmoniza os sentidos
emancipando-me ao refúgio dos pensamentos
e invadindo-me no campo das sensações.
Quero-te livre e solta,
para que voes,
exteriorizes a tua energia,
e eu a possa sentir e envolver.
Sintonizamo-nos de corpo e alma na dança,
mas volta de novo a timidez,
os subterfúgios sentimentais pelos olhares discretos
e sorrisos espontâneos para combater o silêncio.
Deixa que o quebre,
para que a música nos volte a levar para onde quiseres.
Ai estou, permaneço no teu abraço
e ai fico até que o teu baton subsista em mim.
a.tereso
(15 Dez 2013)
https://www.youtube.com/watch?v=dCCfhTlIiCQ#t=11
O tempo trás as premissas do desejo
e invade-me o ambiente interno
de forma subtil pela timidez,
que eu sou junto daquilo que tu és.
Permite-me que queira que esse baton,
e algo mais também se possível
deixe marcas pelo meu corpo,
e me preencha a alma em sentido único.
Entrelaço-te no entretanto de uma simples música,
que harmoniza os sentidos
emancipando-me ao refúgio dos pensamentos
e invadindo-me no campo das sensações.
Quero-te livre e solta,
para que voes,
exteriorizes a tua energia,
e eu a possa sentir e envolver.
Sintonizamo-nos de corpo e alma na dança,
mas volta de novo a timidez,
os subterfúgios sentimentais pelos olhares discretos
e sorrisos espontâneos para combater o silêncio.
Deixa que o quebre,
para que a música nos volte a levar para onde quiseres.
Ai estou, permaneço no teu abraço
e ai fico até que o teu baton subsista em mim.
a.tereso
(15 Dez 2013)
https://www.youtube.com/watch?v=dCCfhTlIiCQ#t=11
22 junho, 2014
Quando te vi amei-te já muito antes.
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci pra ti antes de haver o mundo.
Não há coisa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro.
Fernando Pessoa
Pessoa sem nome, duma grandeza singular, do mundo que abriga em cada palavra escrita. Intemporal, poeta do indizível, albergue sensorial, ... Várias moradas numa só, um abrigo! Um sorriso interior, tímido num olhar de uma criança. ***
a.tereso
20-10-2013
Pessoa sem nome, duma grandeza singular, do mundo que abriga em cada palavra escrita. Intemporal, poeta do indizível, albergue sensorial, ... Várias moradas numa só, um abrigo! Um sorriso interior, tímido num olhar de uma criança. ***
Em ti Lisboa,
percorro o elétrico dos sentidos,
perante uma peça contemporânea no São Luís,
e habito na casa de Pessoa
que me serve de abrigo,
ao que sou e ao que sinto.
É bom estar em ti,
Lisboa profunda,
Lisboa sentimental.
Vem.
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes,
sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos,
sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca,
contemo-nos todos os segredos do mundo,
como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos
que só são capazes de entender
se escutam palavras e vêem rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão: "toca",
se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
rumi
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes,
sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos,
sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca,
contemo-nos todos os segredos do mundo,
como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos
que só são capazes de entender
se escutam palavras e vêem rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão: "toca",
se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
rumi
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