Poderia dizer-te que começo
a sentir um fraquinho por ti!
Mas na intermitência das palavras poderá ser esse
diminutivo pouco expressivo perante o que nasce cá dentro. Uma sementinha que
se desenvolve com cada palavra escrita e não dita. Talvez seja então mais que um
fraquinho, algo vivaz e enraizado. Um sentido de descoberta, mais que uma simples aventura, um querer consciente e presente.
Um nada de tudo o que sou, perante o tudo que és. Não sei como veio e por que
caminhos palmilhou. Isso não importa. As flores silvestres espalham-se com o
vento e enraízam para dar flor. A vida é para ser vivida, e sentida
também. A razão só atrapalha o coração.
Assumo-o, é algo mais forte para ser tratado por um diminutivo, ou uma
expressão curriqueira. Os sentimentos não são curriqueiros. Ou até são nos dias
de hoje. Não se está para a vida assim, assim, nem para os sentimentos. Por
isso digo-te, mexes-te comigo. Não que tenha ficado com a cabeça para os pés.
Talvez da cabeça para o coração e daí para os restante corpo. Estou para ai
virado! Por isso apetecia-me dar-te um beijo, só para ver no que dava. Talvez
viesse outro, e com outro um estalo. Devagar então! E eu não tenho pressa.
Digo-te ao ouvido. Ainda é segredo. E se tivesse podia ir andando. É uma
vontade sem a ter, de te querer ver e sentir quando não estás por perto.
Distraio-me nos afazeres e vou ter contigo. Uma fuga de ideias, para a ideia de
te ter junto a mim. Isto poderá ser diagnosticado com uma qualquer doença, mas
para mim é algo mais. Não dói, é bom. É um calor sem febre, sem dor. Por agora
é só descobrir o que se passa, de olhar em olhar. De brincadeira em
brincadeira. Em silêncios e distâncias. Delineando cada movimento, num tempo
indefinido de coisas que se vivem, e se sentem. Convido-te a habitar nesta
pequena casa de árvore. Como se fazia antigamente quando éramos pequenos.
Comecemos por ai, pequenino, com a inocência de uma criança. E quando somos
crianças as coisas acontecem e crescem sem darmos conta. Como a tal semente.
Vamos por ai então sem olharmos para trás. Que sejamos crianças e deixemo-nos
levar pelo inatismo dos sentidos... Queres vir brincar?
a.tereso