03 novembro, 2014


Empreendedorismo sentimental

A maior fonte de alimentação é o amor! Mas poderá haver outras, certamente. Não sou intransigente. Acredito portanto que o amor seja o maior promotor de desenvolvimento económico e social de um país e do mundo. Talvez dos arredores também.
Só quem não sabe e não sente é que não acredita nesta premissa. E não é filho de boa gente! Acreditar em algo que se sente e que nem sempre é palpável, poderá ser uma inovação. Ou uma estupidez. Sobretudo hoje em dia em que vivemos do mecânico, da reprodução e da repetição.
Viver do sensorial, do invisível, do intangível é bastante lucrativo e contemporâneo. Ou seja, o amor é uma oportunidade, um recurso inesgotável, permite-nos tirar dele um lucro incalculável e invisível aos nossos olhos. Ele é capaz de governar um país! Quem não acredita nisto?
Inatismo? Ufa que palermice! Mas existe trabalho. Ou será consciência do amor? Para o mantermos vivo precisamos de o conhecer, de saber lidar com ele, e de encontrar novos caminhos e soluções para que em cada obstáculo que nos possa surgir, possamos encontrar uma forma de envolvimento e enraizamento.
Estou-me a perder! Importa então neste processo o auto conhecimento e a consciencialização do todo e da parte desse todo. O que é afinal o amor? Não se explica, sente-se. Quando se questiona em demasia, estamos a ser demasiado racionais. Surgem as questões, reticências...
Viver sem questionar! Isto quiçá também será uma inovação. Viver cada dia, como se fosse o primeiro. Descobri-lo diariamente e aceitá-lo como nos é dado. Por um sorriso, um gesto, uma palavra, ... Vá e um beijinho de vez em quando!
Sinto-me um empreendedor sentimental, e o meu produto, a minha inovação é o amor.

a.tereso

As cartas de amor já não são ridículas. Porque já não há quem escreva cartas de amor. Muito mais quem as leia. Já nem sei se existe tempo para o amor, quanto mais para cartas. Se as escrevo é por pensar que é contemporâneo escrever cartas de amor. E não porque seja ridículo. Mas gosto de as escrever. Gosto de ter tempo para quem as escrevo. Jogar com as palavras. Libertar os sentimentos. Deixá-los ir! Sentir agitação quando elas partem. E sentir sentimento quando elas chegam. Tudo isto é muito ridículo. Eu sei! As cartas de amor são ridículas, mas escrever por amor é contemporâneo.

a.tereso
Nutrição evolutiva – Fundamentos para a evolução individual e do planeta  

A comida é capaz de alimentar também a alma? A dieta de uma pessoa exerce algum impacto em sua espiritualidade? Para o doutor Gabriel Cousens, a resposta é sim. Neste livro, ele ensina os leitores a desenvolver programas alimentares adequados a uma prática espiritual. A partir de seus estudos da filosofia oriental e de sua experiência na clínica médica, esclarece questões como alimentos crus versus alimentos cozidos, ingestão proteica; jejum e assimilação de nutrientes; equilíbrio alcalino-ácido; comportamento alimentar; nutrientes, energia e composição molecular. Entre os instrumentos para o desenvolvimento físico e espiritual, o doutor Cousens estabelece uma relação entre as cores dos alimentos e o sistema de chacras, a partir da qual criou a dieta do arco-íris, descrita em detalhes nas páginas deste livro. E também recomenda a prática da meditação, da camaradagem e do amor para que se complete a verdadeira nutrição espiritual.


Vegetarianism preserves Live,Health,Peace,the ecology,creates a more equitable distribution of resources,helps to feed the hungry,encourages nonviolence for the animal and Human members of the Planet, and is a powerful aid for the SPIRITUAL TRANSFORMATION of the Body,Emotions,Mind, and SPIRIT."
By Gabriel Cousens

Penso em ti no silêncio da noite, quando tudo é nada,

Penso em ti no silêncio da noite, quando tudo é nada,
E os ruídos que há no silêncio são o próprio silêncio,
Então, sozinho de mim, passageiro parado
De uma viagem em Deus, inutilmente penso em ti.
Todo o passado, em que foste um momento eterno
E como este silêncio de tudo.
Todo o perdido, em que foste o que mais perdi,
É como estes ruídos,
Todo o inútil, em que foste o que não houvera de ser
É como o nada por ser neste silêncio nocturno.
Tenho visto morrer, ou ouvido que morrem,
Quantos amei ou conheci,
Tenho visto não saber mais nada deles de tantos que foram
Comigo, e pouco importa se foi um homem ou uma conversa;
Ou um [...] assustado e mudo,
E o mundo hoje para mim é um cemitério de noite
Branco e negro de campas e [...] e de luar alheio
E é neste sossego absurdo de mim e de tudo que penso em ti.
s.d.
Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993. 
 - 174.

01 novembro, 2014

DESDE A AURORA
Como um sol de polpa escura
para levar à boca,
eis as mãos:
procuram-te desde o chão,

entre os veios do sono
e da memória procuram-te:
à vertigem do ar
abrem as portas:

vai entrar o vento ou o violento
aroma de uma candeia,
e subitamente a ferida
recomeça a sangrar:

é tempo de colher: a noite
iluminou-se bago a bago: vais surgir
para beber de um trago
como um grito contra o muro.

Sou eu, desde a aurora,
eu — a terra — que te procuro.

.
Eugénio de Andrade
em Obscuro Domínio
NÃO CANTO PORQUE SONHO

Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
O teu sorriso puro,
A tua graça animal.
Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria 
somente um bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinha.
Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
Por vê-los nus e suados.

Eugénio de Andrade 
em As Mãos e os Frutos
Não te Fies do Tempo nem da EternidadeNão te fies do tempo nem da eternidade 
que as nuvens me puxam pelos vestidos, 
que os ventos me arrastam contra o meu desejo. 
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, 
que amanhã morro e não te vejo! 

Não demores tão longe, em lugar tão secreto, 
nácar de silêncio que o mar comprime, 
ó lábio, limite do instante absoluto! 
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, 
que amanhã morro e não te escuto! 

Aparece-me agora, que ainda reconheço 
a anêmona aberta na tua face 
e em redor dos muros o vento inimigo... 
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, 
que amanhã morro e não te digo... 


Cecília Meireles, in 'Retrato Natural'