Para quê voltar a ter voz, se
com ela vivo no silêncio...
Sentido sem objetividade e razão, perpetuado pelo ímpio do
que te envolve e seduz. Não és tu, nem o tempo que te demora. A irracionalidade
aproxima-te e torna-te real, perante o invólucro da noite. Foges a cada shot
de tequila para os meus braços. Ai ficas sem que eu queira, pela
metade. Ao acordares já cá não estás, e para que te quero? Instantes em fuga,
numa memória precária de ilusões que a noite provoca na irrealidade do sonho.
Para quê voltar a ter voz, se com ela vivo no silencio de te ter por perto e
não te poder dizer o que sou. Para quê, se só te tenho quando tu não
está! Sinto mais que palavras. E perante tudo isto, bebo para
esquecer. A embriaguez multiplica-se na infidelidade do medo. Resta-me
silêncios e palavras vãs... Porque medo eu não tenho!
a.tereso
