Na amizade se cria uma rede mental, um código que só o compreendem os amigos. A fecundação de cérebros é um fenômeno real e se manifesta em aspectos intelectuais e existenciais. A amizade é essencialmente criadora. “Um homem sem verdadeiros amigos é efetivamente inconsistente. Ter um amigo é ter uma bem-aventurança, um maravilhoso dom da existência” (TORO, 1999:33). A Biodanza propõe a “dança do amigo” e a escola deveria se preocupar de propiciar o surgimento dos sentimentos de simpatia e afinidade entre os alunos; identificar-se no olhar o mundo juntos, apesar das diferenças; permitir o confronto das divergências para se reconhecerem mutuamente e não se destruírem; realizar projetos e tarefas juntos, com os mesmos objetivos; celebrar o sucesso de ações realizadas em conjunto; escutar o coração do amigo, identificando-se com os sentimentos do outro; estimular a conservação dos sentimentos de amizade e de fidelidade (TORO, 1999:33).
http://www.pensamentobiocentrico.com.br/content/ed02_art02.php
19 abril, 2015
05 abril, 2015
21 março, 2015
18 março, 2015
adiamento
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso,
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais de nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo divertia-se toda a semana.
Hoje só me diverte o circo d domingo de toda semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O por vir...
Sim, o porvir...
álvaro de campos
12 março, 2015
UM OUTRO TANTO
Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia
é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
poder amar-te ainda
um outro tanto
um outro tanto
Maria Teresa Horta,
in "Inquietude" quasi (06)
in "Inquietude" quasi (06)
09 março, 2015
ESTUDO DE NU
Essa linha que nasce nos teus ombros,
Que se prolonga em braço, depois mão,
Esses círculos tangentes, geminados,
Cujo centro em cones se resolve,
Agudamente erguidos para os lábios
Que dos teus se desprenderam, ansiosos.
Essas duas parábolas que te apertam
No quebrar onduloso da cintura,
As calipígias ciclóides sobrepostas
Ao risco das colunas invertidas:
Tépidas coxas de linhas envolventes,
Contornada espiral que não se extingue.
Essa curva quase nada que desenha
No teu ventre um arco repousado,
Esse triângulo de treva cintilante,
Caminho e selo da porta do teu corpo,
Onde o estudo de nu que vou fazendo
Se transforma no quadro terminado.
(José Saramago) *in « Os Poemas Possíveis», 1966
Essa linha que nasce nos teus ombros,
Que se prolonga em braço, depois mão,
Esses círculos tangentes, geminados,
Cujo centro em cones se resolve,
Agudamente erguidos para os lábios
Que dos teus se desprenderam, ansiosos.
Essas duas parábolas que te apertam
No quebrar onduloso da cintura,
As calipígias ciclóides sobrepostas
Ao risco das colunas invertidas:
Tépidas coxas de linhas envolventes,
Contornada espiral que não se extingue.
Essa curva quase nada que desenha
No teu ventre um arco repousado,
Esse triângulo de treva cintilante,
Caminho e selo da porta do teu corpo,
Onde o estudo de nu que vou fazendo
Se transforma no quadro terminado.
(José Saramago) *in « Os Poemas Possíveis», 1966
Acostumar
Posso até me acostumar
E deixar você fugir
Posso até me acostumar
Da gente se divertir
E deixar você fugir
Posso até me acostumar
Da gente se divertir
Dava tudo por amor
Eu vim de longe
Dava pra sentir
Você dançando só pra mim
Eu vim de longe
Dava pra sentir
Você dançando só pra mim
Parece brincadeira
Mas eu sei que a gente faz
Um monte de besteira
Por saber que é bom demais
Mas eu sei que a gente faz
Um monte de besteira
Por saber que é bom demais
Posso até me acostumar
E deixar você fugir
Posso até me acostumar
Da gente se divertir
E deixar você fugir
Posso até me acostumar
Da gente se divertir
Eu vim mas trouxe o sol
E a tempestade lá de longe
Dava pra sentir você passando devagar
Pareceria tarde
Mas você foi me chamar
Morena da cidade
Eu posso até me acostumar
E a tempestade lá de longe
Dava pra sentir você passando devagar
Pareceria tarde
Mas você foi me chamar
Morena da cidade
Eu posso até me acostumar
Marcelo Camelo
https://www.youtube.com/watch?v=OEMmlSEIHFk
https://www.youtube.com/watch?v=OEMmlSEIHFk
Subscrever:
Mensagens (Atom)