27 novembro, 2015

Não te chamo para te conhecer
Eu quero abrir os braços e sentir-te
Como a vela de um barco sente o vento
Não te chamo para te conhecer
Conheço tudo à força de não ser
Peço-te que venhas e me dês
Um pouco de ti mesmo onde eu habite

Sophia de Mello Breyner Andresen

26 novembro, 2015

Os Pêssegos
Lembram adolescentes nus:
a doirada pele das nádegas
com marcas de carmim, a penugem
leve, mais encrespada e fulva
em torno do sexo distendido
e fácil, vulnerável aos desejos
de quem só o contempla e não ousa
aproximar dos flancos matinais
a crepuscular lentidão dos dedos.

Eugénio de Andrade
"Não chore pelo amor perdido, seja por causa da morte ou da volubilidade da natureza humana. O amor em si jamais se perde, apenas brinca de esconde-esconde em muitos corações para que, perseguindo-o, você encontre manifestações suas cada vez maiores. Ele continuará a ocultar-se e a decepcionar, até que a procura tenha sido longa o suficiente para você encontrar sua morada no Ser que reside nos mais profundos recessos de sua própria alma e no coração de todas as coisas. Então, você poderá dizer:
“Ó Senhor, quando eu residia na casa da consciência mortal, pensei que amasse parentes e amigos; imaginei que amasse aves, animais e posses. Mas agora que me instalei na mansão da Onipresença, sei que amo só a Ti, manifestado em parentes e amigos, em todas as criaturas e em todas as coisas. Amando apenas a Ti, meu coração expandiu-se para amar aos muitos. Sendo leal em meu amor por Ti, sou leal a todos os que amo. E amo a todos os seres para sempre."

Paramahansa Yogananda, O Romance com Deus

20 novembro, 2015

No presente

Talvez deixe de ser eu,
quando mergulho no trabalho.
Pura realidade mecânica e irreal,
Mundo perfeito o dos sentidos
Que se vai a cada perturbação.

Intangível regresso ao sensorial,
Numa bipolaridade crescente
na permanência física dos desejos
Do corpo sobre a alma.

Sou carne para canhão,
numa repetição animal em série
numa individualidade que se perde,
para ganhar o pão e perder a alma...

Pequenos frames de luz, e sempre
Que eu respiro, saio em fuga
Uma bomba de oxigénio,
que me permite ser e estar
NO PRESENTE!

a.tereso
Incógnita insegurança que se traduz numa leve pressão, ambígua, sem sujeito nem predicado, um sentido sem lugar para o medo, sem vergonha, nem dor... Vida pela vida, num vício de adrenalina sentimental, sem sentimento, com leveza espiritual e transcendência, contraditória aos mecanismos naturais de quem sou. Leviandade dos corpos numa submersão marítima, perante a inoperância do vento, subjugados às necessidades íntimas espontâneas, de troca de afetos e irreflexões. Germinar no sexo, de energias contrárias, que se seduzem e apagam em gestos de carinho. Histórias da vida, de quem sou e sinto, numa morada onde espero pernoitar e ficar. Subsistência no amor, porta aqui do lado, apartado não desistas que ele acaba por chegar!

a.tereso 
é bom o teu abraço,
o calor do teu corpo
e o silêncio da tua boca

é bom encontrar-te em liberdade,
em processo criativo,
com sensualidade e
desejo de envolver
o horizonte longínquo dos sentidos

é bom ver-te
e sentir-te
na (tua) natureza
e em seu redor

é bom sentir o silêncio
dos teus lábios,
a querem os meus,
e o calor do teu corpo
a pedir ardência ao meu

é bom o silêncio que me trazes
e o que me dizes com ele,
guardo-o em mim
e com ele adormeço
para que se torne realidade

o que as palavras não alcançam...

a.tereso
"Mereces un amor que te quiera despeinada,
con todo y las razones que te levantan de prisa,
con todo y los demonios que no te dejan dormir.
Mereces un amor que te haga sentir segura,
que pueda comerse al mundo si camina de tu mano,
que sienta que tus abrazos van perfectos con su piel.
Mereces un amor que quiera bailar contigo,
que visite el paraíso cada vez que mira tus ojos,
y que no se aburra nunca de leer tus expresiones.
Mereces un amor que te escuche cuando cantas,
que te apoye en tus ridículos,
que respete que eres libre,
que te acompañe en tu vuelo,
que no le asuste caer.
Mereces un amor que se lleve las mentiras,
que te traiga la ilusión,
el café y la poesía."


Frida Kahlo