Açúcar Ou Adoçante
Entra pra ver
Como você deixou o lugar
E o tempo que levou pra arrumar
Aquela gaveta
Entra pra ver
Mas tira o sapato pra entrar
Cuidado que eu mudei de lugar
Algumas certezas
Pra não te magoar
Não tem porquê
Pra ajudar teu analista:
"Desculpa"
Mas se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Mas se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Hoje não vai dar
Não vou estar
Te indico alguém
Cicero
https://www.youtube.com/watch?v=B4-nz0GPiJs
31 janeiro, 2016
30 janeiro, 2016
Amor
Cala-te, a luz arde entre os lábios,
e o amor não contempla, sempre
o amor procura, tacteia no escuro,
essa perna é tua?, esse braço?,
subo por ti de ramo em ramo,
respiro rente á tua boca,
abre-se a alma à lingua, morreria
agora se mo pedisses, dorme,
nunca o amor foi facil, nunca,
também a terra morre.
e o amor não contempla, sempre
o amor procura, tacteia no escuro,
essa perna é tua?, esse braço?,
subo por ti de ramo em ramo,
respiro rente á tua boca,
abre-se a alma à lingua, morreria
agora se mo pedisses, dorme,
nunca o amor foi facil, nunca,
também a terra morre.
eugénio de andrade
29 janeiro, 2016
(...) Em tanto lugar eu poderia lembrar-te.
Mas volto sempre ao começo da irradiação de ti. Há assim um pacto obscuro entre
tudo o que foste até à morte e a eternidade da tua juventude. Porque é lá que
tu moras, no incorruptível, no intocáv...el do teu ser, na perfeição que um
deus achou enfim perfeita quando te entregou à vida para existires por ti. Mas
como seres jovem e eu conhecer-te, fora da cidade do Sol? da colina desdobrada
à sua luz? do espaço de um acorde de guitarra a toda a volta no ar? É bom poder
dizer-te quanto te lembro aí.
Vergílio Ferreira in Cartas a Sandra
26 janeiro, 2016
A lucidez de não saber o que é pecar
A timidez do pecado,
a cada gesto te descobrem,
no olhar, em cada palavra,
num simples bebericar de sentidos,
horizonte de paisagem pastoril
lunar, e fluvial
onde as serpentes de água
se envolvem no toque
e na veleidade do mergulhar
no puro íntimo do desejo carnal...
a cada gesto te descobrem,
no olhar, em cada palavra,
num simples bebericar de sentidos,
horizonte de paisagem pastoril
lunar, e fluvial
onde as serpentes de água
se envolvem no toque
e na veleidade do mergulhar
no puro íntimo do desejo carnal...
Mergulha-se no pecado,
De olhos abertos, convictos
Tateando cada instante,
Como se do primeiro
E talvez do ultimo se tratasse,
no desejo e procura
dos corpos, das mãos
E em cada pausa, os
Lábios que se colam,
As línguas que se enredam...
Tenho-te no pecado,
Sem te ter verdadeiramente
Num subterfúgio afetivo e
Racional, vivência esdrúxula
De te querer sem tempo,
E de não te poder ter,
instante do subconsciente irracional
das percas palavras
dos sentidos múltiplos
que se inscrevem...
a.tereso
(Penacova agosto de 2015)
(Penacova agosto de 2015)
25 janeiro, 2016
Quero pedir-te com quanta força tenho, que sejas paciente com tudo o que dentro do teu coração não foi ainda resolvido e que te forces a gostar das tuas próprias interrogações, como se de quartos fechados se tratasse ou de livros escritos numa língua muito estranha.
Não procures as respostas que não te podem ser dadas porque não serás capaz de
vivê-las.
E o que importa é viver tudo.
Vive agora, as tuas interrogações.
Talvez possas depois, gradualmente, sem nisso reparares, viver até ao dia longínquo
em que entres na resposta.
Não procures as respostas que não te podem ser dadas porque não serás capaz de
vivê-las.
E o que importa é viver tudo.
Vive agora, as tuas interrogações.
Talvez possas depois, gradualmente, sem nisso reparares, viver até ao dia longínquo
em que entres na resposta.
Reiner Maria Rilke
22 janeiro, 2016
Beijo
Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
E dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
E dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.
jorge de sena
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