DIZ...
Diz aquilo que o fogo hesita a dizer,
Sol do ar, claridade que ousa,
E morre porque o disseste por todos.
rené char
03 março, 2016
27 fevereiro, 2016
O caminho que eu escolhi é o do amor.
Não importam as dores, as angústias,
nem as decepções que vou ter que encarar.
Escolhi ser verdadeira.
No meu caminho, o abraço é apertado,
o aperto de mão é sincero.
Por isso, não estranhe a minha maneira de sorrir e de te desejar tanto bem.
Eu sou aquela pessoa que acredita no bem, que vive no bem e que anseia o bem.
É assim que eu enxergo a vida
E é assim que eu acredito que vale a pena viver.
Não importam as dores, as angústias,
nem as decepções que vou ter que encarar.
Escolhi ser verdadeira.
No meu caminho, o abraço é apertado,
o aperto de mão é sincero.
Por isso, não estranhe a minha maneira de sorrir e de te desejar tanto bem.
Eu sou aquela pessoa que acredita no bem, que vive no bem e que anseia o bem.
É assim que eu enxergo a vida
E é assim que eu acredito que vale a pena viver.
Clarice Lispector
26 fevereiro, 2016
Os teus pés
Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.
Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,
a duplicada purpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouo levantaram voo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.
Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.
contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.
Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,
a duplicada purpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouo levantaram voo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.
Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.
pablo neruda
25 fevereiro, 2016
NO ENTANTO
tão especiais os homens de acção
e esta liberdade de poder alongar o verso até ao extremo sem ter de prestar contas ao Criador,
sem ter de ser realmente especial.
e é concebível que um desses homens
venha parar a este meu jorro, à ousadia
de ter certezas muito desenvolvidas, certezas, também elas,
até ao extremo absoluto da personalidade colectiva, às
decisões pelos velhos hábitos.
se assim é, meus senhores: sentem-se, bebam um café
que o meu próximo poema servirá com as leis
da consciência já alteradas, com encontros fora de prazo.
para já: entretenham-se com os meus olhos
e corrijam o que entenderem.
e esta liberdade de poder alongar o verso até ao extremo sem ter de prestar contas ao Criador,
sem ter de ser realmente especial.
e é concebível que um desses homens
venha parar a este meu jorro, à ousadia
de ter certezas muito desenvolvidas, certezas, também elas,
até ao extremo absoluto da personalidade colectiva, às
decisões pelos velhos hábitos.
se assim é, meus senhores: sentem-se, bebam um café
que o meu próximo poema servirá com as leis
da consciência já alteradas, com encontros fora de prazo.
para já: entretenham-se com os meus olhos
e corrijam o que entenderem.
Sylvia beirute
23 fevereiro, 2016
(...) O amor é tão
monótono, querida. Porque ele é o cimo sensível de uma imensidade de coisas que
se esqueceram. Como falar desse mínimo que é o vértice de todo um mundo que o
sustenta? Falar de nada, que é o todo nele? Sandra. Podia dizer o teu nome
infinitamente na multiplicação do que nele me ressoa. E é assim o que mais me
apetece, dizê-lo dizê-lo. E ouvir nele o maravilhoso que me abala todo o ser.
Poderia escrever o teu nome ao longo do que escrevo e teria talvez dito tudo.
Mas eu quero desse tudo dizer também o que aí se oculta. Dizer o meu enlevo e a
razão de ele me existir. As tuas mãos nas minhas. O incrível miraculoso de eu
dizer o teu rosto. O ardor de um meu dedo na tua pele. Na tua boca. O terrível
dos meus dedos nos teus cabelos. (...)
Vergílio Ferreira in Cartas a Sandra
20 fevereiro, 2016
Em Todas as Ruas te Encontro
Em todas as
ruas te encontro
em todas as
ruas te perco
conheço tão
bem o teu corpo
sonhei
tanto a tua figura
que é de
olhos fechados que eu ando
a limitar a
tua altura
e bebo a
água e sorvo o ar
que te
atravessou a cintura
tanto
tão perto tão real
que o meu
corpo se transfigura
e toca o
seu próprio elemento
num corpo
que já não é seu
num rio que
desapareceu
onde um
braço teu me procura
Em todas as
ruas te encontro
em todas as
ruas te perco
Mário Cesariny, in "Pena
Capital"
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