15 janeiro, 2017

(Re)Inicio da viagem!
parafraseando o prefácio

Talvez possa começar pelo início. Desta vez sem dar grandes voltas, se isso for possível. Esta viagem começou à algum tempo atrás. Fiz as contas no final do ano passado, após ter estado a viver em Londres e deu 20 anos.
Aos 13 anos, por tanto, comecei a viver a vida como se fosse grande. Sem que a altura fosse considerada, sem que houvesse tempo e por querer. Emancipação. Querer ser grande, ter independência e pensar no futuro. Talvez durante este tempo tenha deixado de lado o presente. E é ai que tudo começa. Mas também por o querer, algumas coisas ganharam sentido. Sobretudo o estudar, o adquirir por vontade própria algo que nos considera e complementa. O olhar as coisas através dos nossos olhos.
Os primeiros 10 anos, dediquei-me a ganhar dinheiro nas férias do verão, para roupa de marca e por de lado dinheiro. Ai soube o que era dinheiro, o que valia e para que servia. Nos anos do curso dediquei-me a fazer estágios extra curriculares para adquirir experiência e contactos. Raramente tive férias, ou aquele tempo para parar. Uma opção minha. Já nessa altura se falava na precariedade de ter trabalho e na importância ou não de se ter formação universitária. Medo social de não ser ninguém e não ter património.
Os dez anos seguintes, após a minha “formação”, foram dedicados a trabalhar, por vezes sem respirar, de forma incoerente e na incerteza que os recibos verdes nos trazem. Mecanicidades de agilidade tátil e de um futuro inexistente. O não parar para pensar, para que não se equacione o que trazemos na bagagem à gerações. O sobreviver sem que o sentido ganhe a cada dia uma presença, coerência e harmonia com a racionalidade que herdamos. Simplesmente ser e viver!
Vinte anos passados, dei (re)inicio a esta viagem que tinha deixado lá atrás. Todas as experiências por que passei, indicaram-me que ser nada, não ter nada, por vezes também poderá ser bom. Ou por sentir que existe outras interpretações/ leveza para a vida. Sou muito grato a todas estas experiências e a todos. Talvez a vida seja um somatório de todas as vivências, instantes, escolhas que nós, na condição em que nesse momento habitamos, definimos como importante viver. Mas acredito que poderá existir outra leveza...
Não sei para onde me leva esta viagem e tão pouco importa. Que ela seja presente, consciente e criadora, para que esta criança amedrontada, de mãos atadas, continue a crescer no silêncio, consciência e na simplicidade da vida, em harmonia com a (sua) Natureza que a envolve...

a.tereso

Paisagens ambivalentes e encontros metabólicos (Dublin, Janeiro 2017)

14 janeiro, 2017

VIVER É ARRISCAR-SE

Rir é arriscar-se
a parecer doido...
Chorar é arriscar-se
a parecer sentimental.
Estender a mão é arriscar-se
a se comprometer.
Mostrar os seus sentimentos
é arriscar-se a se expor.
Dar a conhecer as suas idéias, os seus sonhos, é arriscar-se a ser rejeitado.
Amar é arriscar-se a não ser retribuído no amor.
Viver é arriscar-se a morrer.
Esperar é arriscar-se a se desesperar.
Tentar é arriscar-se a falhar...
Mas devemos nos arriscar!
O maior perigo na vida está
em não arriscar.
Aquele que não arrisca nada...
Não faz nada...
Não tem nada...

Rudyard Kipling
Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.
Miguel Torga

12 janeiro, 2017

O pensamento é a base de tudo!

O pensamento é a base de tudo. É importante ficar de olhos abertos para cada um de nossos pensamentos. Sem a compreensão correta de uma situação ou de uma pessoa, nossos pensamentos podem desvirtuar-se e criar confusão, desespero, raiva ou ódio.

A nossa tarefa mais importante é desenvolver uma visão correta. Se observarmos profundamente a natureza da inter-existência, de que todas as coisas "intersão", vamos parar de acusar, discutir e matar, e nos tornaremos amigos de todos.

Para praticar a não-violência devemos em primeiro lugar aprender modos de lidar pacificamente connosco mesmos. Se criarmos uma harmonia verdadeira dentro de nós mesmos, saberemos como lidar com a família, os amigos e os companheiros.

Thich Nhat Hanh
A solidão não é uma ausência de energia ou de ação, como acreditam algumas pessoas, mas é, sim, um tesouro de provisões selvagens a nós transmitidas a partir da alma. Nos tempos antigos, a solidão voluntária era tanto paliativa quanto preventiva.

Ela era usada para curar a fadiga e para evitar o cansaço. Ela era também usada como um oráculo, como um meio de se escutar o self interior a fim de procurar conselhos e orientação que, de outra forma, seriam impossíveis de ouvir no burburinho do dia-a-dia.
As mulheres dos tempos antigos, assim como as mulheres aborígines modernas, reservavam um local sagrado para essa indagação e comunhão.


Tradicionalmente, diz-se que esse lugar era reservado para a menstruação, pois durante esse período a mulher está muito mais próxima do autoconhecimento do que o normal. A membrana que separa a mente consciente da inconsciente fica, então, consideravelmente mais fina. Sentimentos, recordações e sensações que normalmente são impedidos de atingir a consciência chegam ao conhecimento sem nenhuma resistência. Quando a mulher procura a solidão durante esse período, ela tem mais material a examinar.

CLARISSA PINKOLA ESTÈS
in MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS
Não tens cheiro, nem nome
nem me dás sossego
na noite imensa de olhos abertos
suspiro sobre teu corpo de estrela...
e me pergunto existes?

Ivana Pascoal

10 janeiro, 2017

Viagens em Viagem de um Ser pequeno!
Diário de bordo para nova viagem, onde o instantâneo perde expressão e ganha tempo o "eu" em nós, natureza que nos complementa. Que o presente se inscreva e predomine no instante em que a vida acontece. O amor, a simplicidade, o Ser que somos é para além da irrealidade. Serei voluntário deste modus vivendi que a brisa escolheu para onde me levar.
Será hoje, no sonho que iniciarei uma nova viagem. Uma realidade presente, oblíqua e de significado táctil. Sinto que parto com sentido e sem olhar para trás. Irei para onde me leva o respirar, para uma realidade palpável e consciente. Que saiba ser simples e dedicado a cada obstáculo e oportunidade, para crescer e pequenizar este ego que ainda me faz frágil e medroso. 
Que o sensorial, aos poucos torne este ser mecânico mais humano e integrante nesta Natureza. Que possa simplesmente ser, em consciência e verdade, com a leveza com que as flores brotam no campo...