(Re)Inicio da viagem!
parafraseando o prefácio
Talvez
possa começar pelo início. Desta vez sem dar grandes voltas, se
isso for possível. Esta viagem começou à algum tempo atrás. Fiz
as contas no final do ano passado, após ter estado a viver em
Londres e deu 20 anos.
Aos
13 anos, por tanto, comecei a viver a vida como se fosse grande. Sem
que a altura fosse considerada, sem que houvesse tempo e por querer.
Emancipação. Querer ser grande, ter independência e pensar no
futuro. Talvez durante este tempo tenha deixado de lado o presente. E
é ai que tudo começa. Mas também por o querer, algumas coisas
ganharam sentido. Sobretudo o estudar, o adquirir por vontade própria
algo que nos considera e complementa. O olhar as coisas através dos
nossos olhos.
Os
primeiros 10 anos, dediquei-me a ganhar dinheiro nas férias do
verão, para roupa de marca e por de lado dinheiro. Ai soube o que
era dinheiro, o que valia e para que servia. Nos anos do curso
dediquei-me a fazer estágios extra curriculares para adquirir
experiência e contactos. Raramente tive férias, ou aquele tempo
para parar. Uma opção minha. Já nessa altura se falava na
precariedade de ter trabalho e na importância ou não de se ter
formação universitária. Medo social de não ser ninguém e não
ter património.
Os
dez anos seguintes, após a minha “formação”, foram dedicados a
trabalhar, por vezes sem respirar, de forma incoerente e na incerteza
que os recibos verdes nos trazem. Mecanicidades de agilidade tátil e
de um futuro inexistente. O não parar para pensar, para que não se
equacione o que trazemos na bagagem à gerações. O sobreviver sem
que o sentido ganhe a cada dia uma presença, coerência e harmonia
com a racionalidade que herdamos. Simplesmente ser e viver!
Vinte
anos passados, dei (re)inicio a esta viagem que tinha deixado lá
atrás. Todas as experiências por que passei, indicaram-me que ser nada, não ter nada, por vezes também poderá ser bom. Ou
por sentir que existe outras interpretações/ leveza para a vida.
Sou muito grato a todas estas experiências e a todos. Talvez a vida seja um
somatório de todas as vivências, instantes, escolhas que nós, na
condição em que nesse momento habitamos, definimos como importante
viver. Mas acredito que poderá existir outra leveza...
Não
sei para onde me leva esta viagem e tão pouco importa. Que ela seja
presente, consciente e criadora, para que esta criança amedrontada,
de mãos atadas, continue a crescer no silêncio, consciência e na simplicidade da
vida, em harmonia com a (sua) Natureza que a envolve...
a.tereso
Paisagens ambivalentes e encontros metabólicos (Dublin, Janeiro 2017)

