17 janeiro, 2017

You Are Me

You are me and I am you.
It is obvious that we are inter-are.
You cultivate the flower in 
yourself so that I will be beautiful.
I transform the garbage in myself so
that you do not have to suffer.
I support you you support me.
I am here to bring you peace
you are here to bring me joy.
- Thich Naht Hahn
Desafio maior que o pensamento – HUMANIDADE

Pela fuga dos nossos dias, o encontro num espaço, uma crença que a vida se propaga para além do tempo e lugar. Uma escola livre de afetos, uma verdade como ausente, consciente e crente na importância da educação pelas formas artísticas, pela liberdade e coisas simples. Entre danças, partilhas e sonoridades interiores, chamas que nos trazem ao presente, ao real, ao que somos e queremos ser, quando de mãos dadas nos aproximamos uns dos outros e nos sentimos. Fogo que lavra corpos e afugenta sonhos, almas maiores que o pensamento, resilientes, crentes que a humanidade, a unidade faz um todo, pelo todo. 
Força! Um desafio que extravasa as nossas vidas, circunstâncias que nos proporcionam engrandecer em novos conceitos e valores. Solidariedade, desespero, (...), palavras são muitas para o que não se consegue descrever. Abraço aqui e agora, pelas causas da vida, pela união que faz a força, para que o que se viveu se perpetue para o dia a dia, entre diferenças, numa humanidade aberta e presente. Ficam sorrisos, partilhas, lágrimas, momentos de pesar e vivências que se transpõem para os nossos dias e que fazem acreditar que sobre as cinzas, à um renascer de uma humanidade em forma de pomba. 

a.tereso
(P.s. - uma pequenez após a tragédia no parque de estacionamento do Andanças 2016)
A nossa casa

A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!
Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?
Sonho…que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,
Num país de ilusão que nunca vi…
E que eu moro - tão bom - dentro de ti
E tu ó meu Amor, dentro de mim…

Florbela Espanca - Sonetos
O que ardeu era o passado
e lá reviveu morrendo
ao fogo se deu inteiro
e ao novo gerou ardendo

Agostinho da Silva, Quadras Inéditas

16 janeiro, 2017

As Time Goes By

You must remember this
A kiss is still a kiss
A sigh is still (just) a sigh
The fundamental things apply
As time goes by

And when two lovers woo
They still say: "I love you"
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by

Moonlight and love songs - never out of date
Hearts full of passion - jealousy and hate
Woman needs man - and man must have his mate
That no one can deny

It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by

Chet Baker
https://www.youtube.com/watch?v=AZj2ozo06oM
as horas levantam-se

as horas levantam-se despindo-se de estrelas e é
o amanhecer
na rua do firmamento a luz caminha espalhando poemas
sobre a terra uma vela é
apagada a cidade
desperta
com uma canção sobre a
boca tendo a morte nos olhos
e é o amanhecer
o mundo
sai para assassinar sonhos...
vejo a rua onde vigorosos
homens se alimentam de pão
e vejo os brutais rostos de
pessoas contentes hediondas desalentadas cruéis felizes
e é dia,
no espelho
vejo um frágil
homem
sonhando
sonhos
sonhos no espelho
e é
o anoitecer sobre a terra
uma vela é acesa
e está escuro.
as pessoas estão em casa
o frágil homem está na cama
a cidade
dorme com a morte sobre a boca tendo uma canção nos olhos
as horas descem,
vestindo-se de estrelas....
na rua do firmamento a noite caminha espalhando poemas

e.e. cummings

15 janeiro, 2017

(Re)Inicio da viagem!
parafraseando o prefácio

Talvez possa começar pelo início. Desta vez sem dar grandes voltas, se isso for possível. Esta viagem começou à algum tempo atrás. Fiz as contas no final do ano passado, após ter estado a viver em Londres e deu 20 anos.
Aos 13 anos, por tanto, comecei a viver a vida como se fosse grande. Sem que a altura fosse considerada, sem que houvesse tempo e por querer. Emancipação. Querer ser grande, ter independência e pensar no futuro. Talvez durante este tempo tenha deixado de lado o presente. E é ai que tudo começa. Mas também por o querer, algumas coisas ganharam sentido. Sobretudo o estudar, o adquirir por vontade própria algo que nos considera e complementa. O olhar as coisas através dos nossos olhos.
Os primeiros 10 anos, dediquei-me a ganhar dinheiro nas férias do verão, para roupa de marca e por de lado dinheiro. Ai soube o que era dinheiro, o que valia e para que servia. Nos anos do curso dediquei-me a fazer estágios extra curriculares para adquirir experiência e contactos. Raramente tive férias, ou aquele tempo para parar. Uma opção minha. Já nessa altura se falava na precariedade de ter trabalho e na importância ou não de se ter formação universitária. Medo social de não ser ninguém e não ter património.
Os dez anos seguintes, após a minha “formação”, foram dedicados a trabalhar, por vezes sem respirar, de forma incoerente e na incerteza que os recibos verdes nos trazem. Mecanicidades de agilidade tátil e de um futuro inexistente. O não parar para pensar, para que não se equacione o que trazemos na bagagem à gerações. O sobreviver sem que o sentido ganhe a cada dia uma presença, coerência e harmonia com a racionalidade que herdamos. Simplesmente ser e viver!
Vinte anos passados, dei (re)inicio a esta viagem que tinha deixado lá atrás. Todas as experiências por que passei, indicaram-me que ser nada, não ter nada, por vezes também poderá ser bom. Ou por sentir que existe outras interpretações/ leveza para a vida. Sou muito grato a todas estas experiências e a todos. Talvez a vida seja um somatório de todas as vivências, instantes, escolhas que nós, na condição em que nesse momento habitamos, definimos como importante viver. Mas acredito que poderá existir outra leveza...
Não sei para onde me leva esta viagem e tão pouco importa. Que ela seja presente, consciente e criadora, para que esta criança amedrontada, de mãos atadas, continue a crescer no silêncio, consciência e na simplicidade da vida, em harmonia com a (sua) Natureza que a envolve...

a.tereso

Paisagens ambivalentes e encontros metabólicos (Dublin, Janeiro 2017)