A
fuga do tempo
Tullyquilly
House até já
Já
não escrevo estas palavras no seu tempo e quiçá não o recupere.
Estou em simultâneo no passado e presente. Isto faz com que a
realidade, o momento se perca e seja transformado. Já estou com uma
ideia ausente e longínqua do que sucedeu. Já será um julgamento,
uma observação de um tempo/ período que passou e não volta mais.
Apesar disso, escrevo e pretendo ficar no tempo. Neste em que agora
vivo.
A
vida é uma constante celebração, ou será este um dos bens maiores
princípios da vida. Os últimos dias na Tullyquilly
House foram
então de celebração. Celebração do encontro, do momento em que
cada um vive e dos objetivos que cada um se propôs cumprir e que se cruzam num todo, quer queiramos ou não.
Cumpri-me,
cumpriu-se e enraizou-se silêncios. Houve um momento em que nos
confrontamos, talvez para que a realidade se cumprisse e todos
pudessem sair mais fortes. Foi aquando um dos afazeres na floresta.
Transplante de árvores. Algo que considero sagrado, íntimo e de
alguma responsabilidade. O objetivo era replantar
árvores, sem ter
grande
consideração por elas. Ofereci então e parte do meu tempo para que
o trabalho fosse feito com mais coração e não só fazer por fazer
e daqui a uns anos cortar as árvores. Não
estava feliz com que estava a fazer e disse. A vida tem significada
para tudo e para todos. Uma árvore é uma vida, é húmus, é ar,
sombra, energia, um abrigo, um poleiro, etc..
Sei
que nestes tempos, por estar por vezes “longe”, longe de mim, que
estou mais sensível, mais frágil. Também um pouco pela ausência
de açúcar, que sempre que posso afasto, conscientemente mas que
interfere inconscientemente comigo.
Nos
últimos dias, subia à montanha mais alta da Irlanda do Norte. Não
que fizesse questão, pois para mim por vezes “a melhor vista é a
meia encontra”, mas por estar em conjunto com alguém que queria
muito esse desafio. Gelei, digo-vos, passei um bocado mal por
não ir preparado para tal. Fiquei com as mãos como nunca tinha
ficado. Mas deu para me sentir humano, real e isso foi bom. Por vezes
endeuso-me e fico na minha retórica.
Ficam
tantas outras coisas por contar, as pequenas coisas. Os pores do sol,
o acender e estar à lareira, o pão quente diário, ou a simples companhia diária dos
Robins. Os olhares e os silêncios, mas esses começam a ser
integrantes, quando as palavras ganham insignificância, sejam elas
em que língua.
Um
até já...
a.tereso