04 julho, 2017

Wales,
quando não se planeia e a vida nos proporciona

Quando iniciei o voluntariado na Irlanda, estava longe de imaginar que iria percorrer os três países pertencentes com a Inglaterra ao Reino Unido. Proporcionou-se e eu aproveitei para perceber a identidade e cultura destes países que formam um conjunto de ilhas.
Em Lismore a Han (voluntária) falou-me num projeto que existiria em Wales de eco construção que eu iria gostar. Disseram que a grande dificuldade seria chegar, devido ao isolamento e distância em que ficava.
Durante esta jornada, tentei sempre nunca fazer viagens grandes e ir de projeto em projeto. Após algumas tentativas de contacto, só consegui já em Wales um hoste, ficando assim mais perto desse tal projeto.
Fiquei durante 15 dias em casa da Claire e Owim, que tem 3 lindas gatas tartaruga. Eles tem um projeto a longo prazo de reabilitar a sua casa que tens estruturas do séx. XIV e uma outra fase de construção do século XVIII. Esta está toda revestida a cimento (exterior) e tem vários problemas com humidade.
Tendo em conta da dificuldade que tinha sido encontrar um novo host, por se aproximar o verão, contactei Felin Uchaf o tal sítio que me tinham falado.


Em casa da Claire e Owin, cedo se aperceberam das minhas habilidades na reabilitação, sobretudo trabalho com argamassas (cal). O seu objetivo era terminar uma sala, para a abrir ao publico com as aulas de Yoga. E como é de objetivos que eu gosto, pus as mãos ao trabalho. Tive comigo um canadiano, o Brian (Eng.º civil). Falo nele porque é aquele tipo de pessoa que gosta de conversar e trabalhar pouco.
Na primeira semana, ajudei no jardim, na cozinha e andei a tapar remendos e a por massas novas sobre massas velhas. E como trabalho deste também eu faço em Portugal, disse-lhes porque não faziam de novo, que quase demorava o mesmo tempo. O que eu fui dizer. Nessa mesma semana, recebi a confirmação que podia ir para Felin Uchaf.


Como me coloquei a jeito, na segunda semana, trabalhei como à muito não trabalhava para acabar os rebocos e deixar tudo direitinho como eu disse que era possível.
Mesmo assim, dei belos passeios pela região e pelas praias. Apanhei dias maravilhosos. A área de Holyhead não é feia, mas é muito humanizada. Bangor é uma cidade mais interessante. Sobre a paisagem está constantemente o mar e o parque de Snowdonia.


Aqui passei 15 dias intensos, com muito trabalho, mas cumpri com os objetivos. De ajudar e de seguir caminho para o projeto que eu queria visitar.

a.tereso



A arte e o transcendente I

Cântico I
Não queiras ter Pátria.
Não dividas a Terra.
Não dividas o Céu.
Não arranques pedaços ao mar.
Não queiras ter.
Nasce bem alto,
Que as coisas todas serão tuas.
Que alcançarás todos os horizontes.
Que o teu olhar, estando em toda a parte
Te ponha em tudo,
Como Deus.
Cântico II
Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens...
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade...
É a eternidade.
És tu.

Cecília Meireles
"Cânticos"
(...)Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que creio em mim é resposta a meu - a meu mistério. (...)

Clarice Lispector
A Hora da Estrela

30 junho, 2017

fotografia

Ainda me lembro: as dúvidas
que nasciam por entre os teus dedos,
e as tuas mãos que se transformavam em
folhas de uma vegetação abstracta…
Era de manhã, quando o ar frio encrespava
a pele e a humidade batia no rosto
como os fios de uma teia invisível. Era
a hora em que nenhum táxi parava, nem
se podia andar pelos passeios sem
atolar os pés de lama. No café,
porém, um calor nascia no intervalo
de um aquário: o teu amor. E mo o peixe
eu bate no vidro sem saber para onde ir
andava às voltas, procurando a saída
para te encontrar enquanto tu
sacudias a água dos cabelos e, sem te
importares comigo, sorrias, como
nenhuns outros lábios sabiam sorrir,
até hoje.
nuno júdice
dedos

Ligeira, principiava
a chuva de uma noite.
Ligeiros, confiavam-se
teus dedos em meus dedos.
Breve instante de adeus,
oh, por dois dias só.
Sorrias-me através
do pranto que chovia
em teu casaco de couro.
Tremor dos bruscos túneis
por onde te perco: confuso coração,
despedaço esta noite
o molho de lembranças
que tenho nos dedos. Vazios dois dias,
premiram a sombra do toque
dos teus dedos, quando eu te perdia.
gabriel ferrater

27 junho, 2017

Everything has to be built up. The foundation
has to be firm. The mind and intelligence has to
stand ready. Bring yourself to attention. Be
attentive to yourself. Be attentive everywhere
within your cellular body. Attention without 
tension. Be quiet within to catch. Distribute your
energy evenly, equally. A great chance to look at
yourself. Are you in the right position?
Geeta Iyengar

18 junho, 2017

esse verão

Vinha meio nu
Trazia uma cesta de vime cheia de amoras
que colhera nas margens do rio
Passara a tarde toda de silvado em silvado
Na sua mão direita um pequeno arranhão
– Tão quente tão quente
esse verão

jorge de sousa braga