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01 abril, 2017

Certamente o homem não é nenhuma criação especial. Ele é o produto do trabalho do aperfeiçoamento gradual da Natureza, semelhante a qualquer outra unidade vivente nesta Terra. Mas isto é apenas com referência ao tabernáculo humano. Aquilo que vive e pensa no homem e sobrevive a essa forma é o "Eterno Peregrino", a protéica diferenciação no Espaço e Tempo do Uno "Incognoscível" e Absoluto."

Helena P. Blavatsky in: A Doutrina Secreta

12 dezembro, 2016

"O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.
Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.
(...)
O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.
Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”.

Zygmunt Bauman

12 novembro, 2016

Aprender a Ver

Aprender a ver - habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não «querer», o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo — tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, — quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de «vício» é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir. — Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novo de qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, — afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas...

Friedrich Nietzsche, in "Crepúsculo dos Ídolos"

05 novembro, 2016

Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos
Oscar Wilde

30 outubro, 2016

Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade fundamental cujo desconhecimento mata inúmeras idéias e planos esplêndidos: a de que no momento em que nos comprometemos definitivamente, a providência move-se também. Toda uma corrente de acontecimentos brota da decisão, fazendo surgir a nosso favor toda sorte de incidentes e encontros e assistência material que nenhum homem sonharia que viesse em sua direção. O que quer que você possa fazer ou sonhe que possa, faça. Coragem contém genialidade, poder e magia. Comece agora. 

GÖETHE

14 outubro, 2016

O objetivo, ao estar consciente, é ir gradualmente mudando aquilo que não produz bem-estar e equilíbrio interior, claro que o ego se vai debatendo, resistindo a essa transformação. É aqui, nesta etapa, que iremos ter a oportunidade de activarmos a força criadora que não vê o obstáculo, a frustração como uma barreira que o impede de ser, mas sim como uma oportunidade que o irá ajudar a renascer, este é o aprendizado da aceitação da vida e de todas as experiências, como fonte criadora de amor, pois tudo nasce a partir da transformação. Aquele que não se propõe a percorrer a vida com esta consciência espiritual, perde-se da sua essência e cria o vazio sem vida, onde nada acontece, tudo se mantém igual e vai perdendo a vitalidade.

Ruth Fairfield

22 setembro, 2016

Vive apenas aceitando o momento que te é dado de verdadeira claridade. Aqui Deus nasce, o Caminho é alcançado, o Amor é recebido, a Eternidade é aberta. É inato. Quando, finalmente, nada temos, então tudo é oferecido. O que vive Agora, isso é a Vida
Hogen (Zen Master)

21 julho, 2016

A inocência que advém de uma profunda experiência de vida é semelhante à de uma criança, sem ser infantil. A inocência das crianças é bela, mas ignorante. Ela será substituída por desconfiança e dúvida à medida que a criança for crescendo e aprendendo que o mundo pode ser um lugar perigoso e ameaçador. A inocência, porém, de uma vida plenamente vivida tem um quê da sabedoria e da aceitação da vida em eterna mudança.

Osho

12 julho, 2016

Walden, ou A vida nos bosques

Aprendi com minha experiência pelo menos isto: se o homem segue confiante rumo a seus sonhos e se empenha em viver a vida que imaginou, ele terá um sucesso inesperado em momentos comuns. Deixará algumas coisas para trás, cruzará uma fronteira invisível; novas leis universais e mais liberais começarão a se estabelecer por si sós ao redor e dentro dele; ou as velhas leis se ampliarão e serão interpretadas em seu favor num sentido mais liberal, e ele viverá com a licença de uma ordem superior de seres.
...
À medida que ele simplifica sua vida, as leis do universo se mostrarão menos complexas, e a solidão não será solidão, nem a pobreza pobreza, nem a fraqueza fraqueza. Se você tiver construído castelos no ar, não será trabalho perdido; é ali mesmo que eles devem estar. Agora ponha-lhes os alicerces.


Henry David Thoreau

24 maio, 2016

"O que é o nosso corpo? A reunião de elementos que antes se encontravam na terra, na água, no ar, no fogo. Outrora, eles formavam a matéria de outros corpos que, com o tempo, se decompuseram. E, quando agora nós comemos frutos ou legumes, dizendo: «Isto é uma pera ou uma melancia, isto é uma alface ou uma abóbora…», isso é verdade. Mas, antes de existirem na forma e com as cores que nós estamos a ver com os nossos olhos, esses elementos pertenceram a muitas outras formas, animadas ou inanimadas, e com muitas outras cores!
Desde a origem do mundo, são sempre os mesmos elementos que entram na constituição dos minerais, dos vegetais, dos animais e dos humanos. Quando o tempo ou um acidente os desintegra, eles regressam às grandes oficinas da natureza, para aí serem transformados. Mas os elementos, em si mesmos, que os constituem permanecem eternamente novos, puros e inoxidáveis.
Pouco importa que todas as formas vivas fiquem gastas, apodreçam e se desfaçam em pó: a natureza utiliza de novo os mesmos elementos nos seus ateliês e volta a dá-los como alimento fresco a todos os seres vivos ou, então, usa-os para construir novos corpos para as criaturas.
É a natureza que nos ensina a lei da reciclagem. "

Omraam Mikhaël Aïvanhov

13 maio, 2016

“No Mahayana [tradição budista], o Amor e o afecto têm por base um Amor liberto e incondicional que não pede nada em troca. É uma dança mútua. Mesmo que durante a dança pisemos os dedos um do outro, isso não é visto como problemático ou como um insulto. Não temos que subir para o cimo do nosso cavalo ou ficar melindrados com o que acontece. Aprender a Amar, aprender a abrir, é das coisas mais difíceis que podemos fazer”


Chögyam Trungpa, Training the Mind and Cultivating Loving-Kindness

24 abril, 2016

"Todos os fenómenos são sempre novos e frescos, absolutamente únicos e inteiramente livres de todos os conceitos de passado, presente e futuro. São experimentados no não tempo (…) Mergulhar simples e directamente na meditação no momento de agora, com todo o nosso ser, livre de hesitação, aborrecimento ou excitação, é o despertar"

Dilgo Khyentse Rinpoche

24 março, 2016

De Quem é o Presente?
 
Perto de Tóquio vivia um grande samurai idoso que agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta.  Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo, e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direcção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais.  Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.  No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: - Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
- A quem tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos - disse o mestre - Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir... 

Conto zen

21 março, 2016

“Precisamos reacender a chama da nossa relação com a Natureza. Talvez seja preciso mais do que apenas amizade, precisamos de nos voltar a apaixonar pela natureza, namorar com a Natureza. E a melhor maneira de compor esta relação é estar com a Natureza, sentado debaixo de uma árvore, trabalhando uma porção de terra, caminhando numa clareira – ser um peregrino e não um turista na Terra. Em face de todos os problemas ambientais do mundo, como podemos agir enquanto peregrinos da Terra? O primeiro passo é identificarmo-nos verdadeiramente com o ensinamento sábio de Gandhi - "ser a mudança que queremos ver“ (…) O segundo passo é despertar os outros para as bênçãos desta nova relação. E o terceiro é organizarmo-nos com os outros para alcançar a mudança de forma mais eficaz. Ter coração. Ser um peregrino da Terra não requer nenhum treino, cursos universitários ou livros. Simplesmente requer voltar a ter a compreensão da interdependência de tudo.” 
Satish Kumar

15 março, 2016

"Em resumo: vazio interior – consumismo – fosso ecológico – fosso social”

“Os três fossos [espiritual-cultural, ecológico e sócio-económico] que compõem a superfície de sintomas [da crise] estão extremamente entrelaçados. Por exemplo, a perda de sentido na vida e no trabalho (o vazio interior) é frequentemente preenchido com mais consumo material (consumismo), o qual aprofunda o fosso ecológico por um maior esgotamento de recursos. A intensificação do fluxo da corrente de recursos naturais dos países em vias de desenvolvimento para os países desenvolvidos, e o fluxo das correntes de desperdício em sentido oposto, conduz por sua vez a um aprofundamento do fosso social. Em resumo: vazio interior – consumismo – fosso ecológico – fosso social”

- Otto Scharmer / Katrin Kaufer, Leading from the Emerging Future. From ego-system to eco-system economies, São Francisco, Berret-Koehler Publishers, 2013, p.40.

11 março, 2016

Um fio invisível une todos aqueles que estão destinados a encontrar-se, independentemente do tempo, lugar ou circunstância. O fio pode esticar-se ou emaranhar-se. Mas nunca se partirá.

Provérbio chinês

09 março, 2016

O Amor Sugado
O amor, enquanto afeição humana, é o amor que deseja o bem, possui uma disposição amigável, promove a felicidade dos demais e alegra-se com ela. Mas é patente que aqueles que possuem uma inclinação meramente sexual não amam a pessoa por nenhum dos motivos ligados à verdadeira afeição e não se preocupam com a sua felicidade, mas podem até mesmo levá-la à maior infelicidade simplesmente visando satisfazer a sua própria inclinação e apetite. O amor sexual faz da pessoa amada um objecto do apetite; tão logo foi possuída e o apetite saciado, ela é descartada «tal como um limão sugado». 

Emmanuel Kant, in 'Lições de Ética'

06 março, 2016

A felicidade não é um destino, é uma viagem.
A felicidade não é o amanhã, é agora.
A felicidade não é uma dependência, é uma decisão.
A felicidade é o que você é, não o que você tem.
Osho

11 fevereiro, 2016

Conheci o bem e o mal,
O pecado e a virtude, a justiça e a injustiça;
Julguei e fui julgado,
Passei pelo nascimento e pela morte,
Pela alegria e pela dor, pelo céu e pelo inferno;
E finalmente compreendi
Que eu estou em tudo
E que tudo está em mim.


Hazrat Inayat Khan

29 dezembro, 2015

“Quando começamos a tocar o nosso coração ou quando deixamos o nosso coração ser tocado, começamos a descobrir que ele não tem fim,
que ele não tem qualquer intenção,
que este coração é enorme, vasto, sem limite.
Começamos a descobrir a quantidade de calor e ternura que ele detém, assim como o espaço que ele contempla.”

Pema Chödrön