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04 março, 2018

And I learned what is obvious to a child. That life is simply a collection of little lives, each lived one day at a time. That each day should be spent finding beauty in flowers and poetry and talking to animals. That a day spent with dreaming and sunsets and refreshing breezes cannot be bettered. But most of all, I learned that life is about sitting on benches next to ancient creeks with my hand on her knee and sometimes, on good days, for falling in love.
Noah Calhoun

12 janeiro, 2018

Ah, rotina doce dessa vida em comum, porém extraordinária de independência e qualidade solitária! A fazenda progredia, iam envelhecendo as mulheres; os cabelos que eram há pouco ainda castanhos apareciam grisalhos, depois brancos; Joaquim abandonava de todo o seu cargo de lavrador, raramente vigiava os moços ou escolhia o gado e até deixava de visitar a amiga, seca e escura como um tronco castigado dos temporais. Bebia de madrugada a sua dose de aguardente que o mantinha numa benévola e distraída disposição durante todo o dia; tinha uma embriaguez discreta, quase afável, e delicados sonhos povoavam-lhe a mente.

AGUSTINA Bessa-Luís
Os Quatro Rios, 1964

27 junho, 2017

Everything has to be built up. The foundation
has to be firm. The mind and intelligence has to
stand ready. Bring yourself to attention. Be
attentive to yourself. Be attentive everywhere
within your cellular body. Attention without 
tension. Be quiet within to catch. Distribute your
energy evenly, equally. A great chance to look at
yourself. Are you in the right position?
Geeta Iyengar

17 junho, 2017

o bicho harmonioso

Eu gostava de ter um alto destino de poeta,
Daqueles cuja tristeza agrava os adolescentes
E as raparigas que os lêem quando eles já são tão leves
Que passam a tarde numa estrela,
A força do calor na bica de uma fonte
E a noite no mar ou no risco dos pirilampos.
Assim, gloriosos mas sem porta a que se bata;
Abstractos mas vivos;
Rarefeitos mas com o hálito nebuloso nas narinas dos animais,
Insinuado nos lenços das mulheres belas, cheios de lágrimas,
Misturado às ervas grossas da chuva
E indispensável aos heróis que vão rasgar no céu, enfim, o último sulco!
Ser a vida e não ter já vida ‑ era um destino.
Depois, dar a minha Mãe a glória de me ter tido,
A meu Pai, vendado de terra, um halo da minha luz, e tocar tudo,
Onde eu houvesse estado, de uma sagração natural:
Não digo como as Virgens Aparecidas,
Que tornam imbecis e radiosos os pastorinhos,
Mas como certo orvalho de que me lembro, em pequeno ,
Para lá da janela a luz cortada por chuva,
E uma prima que amei, a rir, molhada, chegando;
Mar ao fundo.
Tudo isto, e vontade de dormir, também em pequenino,
E logo uma mão de mulher pronta a fingir de asa aberta,
E preguiça,
Impressão de morrer do primeiro desgosto de amor
E de ir, vogando, num negrume que afinal é toda a luz que nos fica
Desse amor forrado de desgosto,
Como as estrelas encobertas,
Que, depois de girar a nuvem, mostram como estão altas:
Tudo isto seria aquele poeta que não sou,
Feito graça e memória,
Separado de mim e do meu bafo individualmente podre,
Livre das minhas pretensões e desta noite carcomida
Pelo meu ser voraz que se explora e ilumina.
Mas não. Do canto necessário
Para me diluir em som e no ar que o guardasse
(Como o nervo do degolado alonga em tremor seu pasmo)
Não chego a soltar senão uma vaga nota,
E a noite faz muito bem em vergar uma gruta sem ecos
No meu buraco vil de bicho harmonioso.
Deixarei, estampada pelo silêncio definitivo,
A ramagem fremente dos meus dedos num pouco de terra,
Estranho fóssil!

vitorino nemésio

05 junho, 2017

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Mario Quintana

02 junho, 2017

Amor e disciplina

Quando você pensa na palavra “disciplina”, o que lhe vem à mente? Para muitos, disciplina faz lembrar um professor exigente, um pai ou mãe controladores. Tente deixar de lado essa ideia e pense na disciplina que um atleta adota livremente para obter o melhor de si mesmo. Ninguém pode torná-lo disciplinado. A disciplina é um presente que damos a nós mesmos.
Todos os aspectos do ser humano desabrocham com disciplina, e o mesmo acontece com os relacionamentos. A disciplina é o preço que a vida cobra pela felicidade. Novamente, não estou falando do prazer passageiro, e sim de felicidade duradoura. Você não pode ser feliz por um período longo se não tiver disciplina.
A disciplina é a estrada que leva à plenitude da vida.
Pense nos quatro aspectos do ser humano: físico, emocional, intelectual e espiritual. Quando nos alimentamos bem, nos exercitamos com frequência e temos uma rotina de sono regular, nos sentimos mais plenamente vivos fisicamente. Quando amamos, quando damos prioridade aos relacionamentos significativos de nossas vidas, quando nos dedicamos a ajudar os outros em sua jornada, nos sentimos mais vivos intelectualmente. Quando entramos na escola do silêncio e nos postamos diante de Deus [1] em oração, vivenciamos a vida mais plenamente do ponto de vista espiritual.
Cada uma dessas formas de vida mais plena requer disciplina.
Alimentar-se bem requer disciplina. Exercitar-se requer disciplina. Pensar nas necessidades dos outros antes das nossas requer disciplina. Tornar-nos as melhores pessoas que podemos ser exige escolhas, e as escolhas requerem disciplinas.
Você está desabrochando? Ou apenas sobrevivendo?
Quando nos sentimos mais plenamente vivos? Quando adotamos uma forma de disciplina. O ser humano desabrocha com a disciplina.
A disciplina é a chave da liberdade. É fácil ceder ao apelo dos prazeres momentâneos que este mundo oferece com tanta facilidade, mas todos os grandes homens e mulheres conhecem o valor de adiar as gratificações imediatas. Os heróis, líderes, campeões e santos que povoam os livros de história souberam adotar a disciplina muito bem.
Neste momento da história, o prazer e a gratificação imediata parecem ser os mestres da maioria das pessoas. Nós nos vemos escravizados e aprisionados por milhares de caprichos, anseios, vícios e apegos. Interiorizamos a ideia de que liberdade é a capacidade de fazer o que se quer, quando e onde se tem vontade, sem interferência de qualquer autoridade.
Mas liberdade não é a capacidade de se fazer o que se quer. Ser livre é ser capaz de escolher. Liberdade é a capacidade de escolher a cada momento o que é bom, verdadeiro, nobre e certo, para ir se tornando a melhor pessoa que você pode ser. Liberdade sem disciplina é impossível.
Mas a liberdade não é o centro da vida. Não. O amor é a essência da vida. O amor é a grande alegria da vida e sua maior lição. O amor é a única razão pela qual se dá a vida. Nós nos mantemos ocupados com tantas coisas e deixamos de lado, ignoramos, negligenciamos essa única e grandiosa tarefa. O amor é a principal e mais importante tarefa – amar a si mesmo, esforçando-se para se tornar a melhor pessoa possível; amar os outros, incentivando-os em sua busca para se tornarem as melhores pessoas possíveis; e amar a Deus, tornando-se tudo aquilo que você foi criado para ser.
Para amar, porém, você precisa ser livre, pois amar é entregar-se a alguém ou a alguma coisa gratuitamente, de forma completa, incondicional e sem reservas. Mas, para se entregar – a outra pessoa, a uma missão, a Deus -, é preciso primeiro se conhecer e ser dono de si mesmo. A posse de si mesmo é a liberdade. Ela é um pré-requisito para o amor e só pode ser obtida por meio de disciplina.
É por isso que tão poucos relacionamentos florescem na nossa época. A própria natureza do amor exige a posse de si mesmo. Sem autocontrole e autodomínio, somos incapazes de amar e de nos entregarmos.
O problema é que não queremos disciplina. Queremos que alguém nos diga que podemos ser felizes sem disciplina. Mas é impossível. Na verdade, se você quiser medir seu nível de felicidade, meça o nível de disciplina em sua vida. Os dois estão diretamente relacionados.
Cada passo em direção à melhor pessoa que podemos ser requer disciplina. (…)
Se não houver disciplina, não há amor.

Matthew Kelly
“Os Sete Níveis da Intimidade”, 2007
NOTA:
[1] A filosofia esotérica ensina que os deuses monoteístas são uma ilusão predominantemente medieval, fabricada por sacerdotes desinformados. Em teosofia, a palavra “deus” pode significar a Lei Universal do Equilíbrio e da Justiça. No caso do recolhimento em oração e meditação, o estudante se reúne com a voz da sua consciência, a voz sem palavras do seu próprio eu superior ou alma espiritual. O estudante é inspirado pela lei impessoal de justiça e harmonia que rege o universo.

31 março, 2017

Para abandonarmos a síndrome de “povo menino”, diagnosticado por Cesariny, ou a síndrome do império ou de uma certa sobranceria parola, é necessário que identifiquemos os erros de base, para que possamos melhorar aqueles que nos são endémicos e que atrofiam o desenvolvimento social do país. Aqui estão eles.
Em Portugal, a normalidade da convivência pura e simples não existe. Persiste uma visão infantil e bipolar, em que coexistem o “nós” perfeito e os “outros”, uma cambada de inúteis e oportunistas. Existe uma total ausência da noção do que é o bem comum. Entretemo-nos em guerras inúteis, destruindo o caminho uns dos outros. Nada se constrói, nada tem continuidade. E o “outro” é um alvo permanente a abater.
É, pois, fundamental reforçar a ideia de bem comum, acima da tradicional turbulência quando muda a cor política ou emerge um novo grupo de interesses. É como se brincássemos com o país, ficando claro o embaraçoso amadorismo nacional das instituições, dos agentes, da falta de planeamento e estratégias a longo prazo.
Se a ausência de noção de bem comum na política é gritante, esta é extensível a todos os sectores da sociedade.
(...)

06 fevereiro, 2017

fata morgana
(…)
Estar vestido de branco deste homem é evidente que nunca voltará a ser
encontrado
Depois o choque duma lança contra um elmo aqui o músico fez maravilhas
É toda a razão que se vai quando podia soar a hora sem que tu estejas
presente
Nas sombras do cenário permite-se ao povo contemplar os grandes festins
Comer em cena é sempre do agrado geral
De dentro da empada rematada a faisões
Anões metade pretos metade arco-íris levantam a tampa
E soltam-se ajaezados de guizos e de risos
Brilho contrastado de vestígios de tiros das côdeas sobrastes
Plano sequência do baile dos Ardentes flash-back desfocado do episódio que
vem logo a seguir ao do cervo
Um homem talvez ágil demais desce do alto das torres de Notre-Dame
A rodopiar numa corda
Seu pêndulo de archotes clarão insólito à luz do dia
A sarça dos cinco selvagens quatro deles cativos um do outro o sol de plumas
O duque d’Orléans segura o facho a mão a mão fatal
Às oito horas da noite tempos depois a mão
Não esquece a brincar com a luva
A mão a luva uma vez duas vezes três vezes
A um canto com o palácio mais branco em fundo as belas feições ambíguas de
Pedro de Luna a cavalo
Personificando o segundo luminar
Acabar sobre o brasão da rainha em lágrimas
A mágoa Nada mais me é nada nada me é mais nada
Sim sem ti
O sol

andre breton

21 janeiro, 2017

Your own Self-Realization is the greatest service you can render the world.
Ramana Maharshi

19 janeiro, 2017

emigrar

Às vezes penso em emigrar. É uma tendência fatal dos Portugueses que se manifesta desde o primeiro bocejo; só que um é de fome e outro de puro aborrecimento: um sugere-o a contracção do estômago onde se digerem côdeas e couve galega; outro, a mente em que se arrefecem pensamentos e suas consolações. Por isso, por esta inclinação movediça, a nossa cultura é estrangeirada; não se recorre ao sabor pátrio, de tanto que ele se traduz em humilhação e impedimento. Mas vai eu, em tentação de romper com muitas amizades, que em serem inimigas me dariam mais proveito, estabeleço planos tão bem gizados que, a traduzirem estratégia guerreira, já tinha por camaradas Aníbal e Alexandre. Todavia, há sempre um nada que me assombra e imobiliza. Não é o respeito por coisas famosas, a História e os grandes cá da terra. São coisas pequenas, devoradoras da paz se as temos por distantes: um dia de chuva na Primavera, com aqueles campos acima do Ave, crivados de malmequer amarelo, desse de que se faziam colares, com cheiro ácido, de botica. […] Às vezes penso, é certo, em emigrar. Entre os que se entendem há demasiada claridade. E preferimos incertezas vulgares a tácitas indiscrições, de gente vizinha e, no geral, amiga. Mas depois mudamos de ideia.

agustina bessa-luís

18 janeiro, 2017

Comer é um acto agrícola
Wendell Berry

14 janeiro, 2017

Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.
Miguel Torga

10 janeiro, 2017

“Quando o Amor nos habita, tudo se torna sagrado. Não há "Terra Santa", há uma forma de caminhar sobre a Terra. É a nossa forma de caminhar sobre a Terra que a torna sagrada. É a nossa forma de habitar a nossa Casa que faz dela um templo. É a nossa maneira de Amar no nosso leito que faz dele um lugar sagrado”.

Jean-Yves Leloup, 
Uma arte de amar para os nossos tempos

02 janeiro, 2017

Meditações com conjunturas astrológicas favoráveis para Janeiro de 2017

Mote: “Por vezes as pessoas tropeçam na Verdade. Mas só os tolos e indiferentes é que se levantam imediatamente e continuam.”
Atenção: Cada um destes momentos benéficos, que são prendas disfarçadas de Deus, mergulham-nos duma forma espiritual em ressonâncias astrais secretas esotéricas. Através de constante e firme atenção, estes momentos inefáveis dão-nos a oportunidade de viver total e completamente o misterioso momento presente.

Gregorian Bivolaru

12 dezembro, 2016

O AMOR SEGUNDO STENDHAL

Os amores, há-os de vários tipos. Stendhal, para alguns o inventor do amor, enumera quatro tipologias diferentes: o amor-paixão, o amor-gosto, o amor físico e o amor-vaidade.
O amor-paixão, segundo ele, “o da religiosa portuguesa, o de Heloísa por Abelardo” é o mais arrebatador, é aquele que “nos leva para além de todos os nossos interesses”. Já o amor-gosto, é um amor conforme nossas disposições, cor-de-rosa, afeito às nossas necessidades, que não admite qualquer mácula. Conveniente, de certo modo.
O amor físico (ah, o amor físico!), é o amor baseado nos prazeres carnais. Próprio, sobretudo, da adolescência. Stendhal escreve em “Do amor” que “é por aí que se começa aos dezesseis anos”.
Depois, o amor-vaidade, maioria na sua época (séc. XIX), em que o homem “deseja e tem uma mulher à moda, como se tem um lindo cavalo, como coisa indispensável ao luxo de um jovem”, pois que, prossegue, “a vaidade mais ou menos lisonjeada, mais ou menos espicaçada, dá lugar a vivos sentimentos”.
Stendhal, permissivo, ainda admite a existência de oito ou dez variantes. E como se não bastasse, sua coragem (ou audácia) vai ainda mais longe. O amor tem uma espécie de etapas ou de encadeamento. A saber, sete.
Primeira: a admiração (que pode ocupar o período de um ano). Segunda: o prazer do beijo, do beijar e ser beijado (espaço de um mês até a terceira). Terceira: a esperança. Por menor que seja, essa esperança será o suficiente para o nascimento do amor. Nessa fase, “estudam-se as perfeições”. E é aí que a mulher deve entregar-se, “para um maior prazer físico”. O espaço de tempo entre a terceira e quarta fase é um piscar de olhos.
Na quarta fase nasce o amor. Segundo ele, “o prazer em ver, palpar, sentir com todos os sentidos e tão de perto quanto possível, um ser adorável e que nos ama”. A quinta fase, que não se separa temporalmente da quarta, é a primeira cristalização. Ou seja, a atribuição de mil perfeições, de todas as qualidades àquele que amamos. Cristalização é, nas palavras de Stendhal, “a operação do espírito pela qual se descobre, face a tudo o que se lhe apresenta, as novas perfeições do ser amado”. O ser amado é, então, senhor de todas as perfeições que imaginamos.

20 outubro, 2016

os beijos de socorro

Os beijos de socorro: Assimilados como estão aos pombos-correio, mostram, de forma menos figurada, a necessidade que tenho de um gesto que todavia recuso, necessidade essa que não é estranha às etapas do caminho já mencionadas. Nem por isso se encontram esses beijos menos bem situados aqui, no plano das possibilidades, dada a sua posição entre os pombos-correio (ideia de uma pessoa favorável) e os seios, dos quais me vi forçado a dizer, no decorrer da narrativa, que me roubavam toda a coragem de renunciar.

andré breton

21 julho, 2016

“Doce respiração, respira-me gentilmente, balança-me suavemente, porque eu sou um rio que estou a aprender a atravessar”.

W.S. Merwin

18 julho, 2016

O tempo dos amores líquidos


“A modernidade líquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos – um amor líquido. A insegurança inspirada por essa condição estimula desejos conflitantes de estreitar esses laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos.”, afirma o sociólogo polonês Zygmunt Bauman.
Desapaixonar-se se tornou tão fugaz quanto apaixonar-se. Afinal, são tantas as opções que os meios tecnológicos me dispõem! Enquanto eu mantenho uma conversa com aquela pessoa no whatsapp, troco mensagens pelo facebook com outra. Espero ansiosamente por uma resposta rápida, mas caso nenhuma me corresponda, ainda tenho aquela outra pessoa com quem estou trocando SMS’s…
A superficialidade das relações humanas gerou um conjunto de laços e indivíduos “descartáveis”. Se algo não está bom: descarta! Mas o que nunca vem à nossa mente é que o caçador também pode se tonar caça. Lidar com diversas pessoas descartáveis o torna, da mesma maneira, descartável. É o que Bauman chama de “amor líquido”.
“É um amor a partir do padrão dos bens de consumo: mantenha-os enquanto eles trouxerem satisfação e os substitua por outros que prometem ainda mais satisfação. Na sua forma ‘líquida’, o amor tenta trocar a qualidade por quantidade – mas isso nunca pode ser feito. É o amor um espectro de eliminação imediata e, assim, também de ansiedade permanente, pairando acima dele.”.

Letícia Maia

12 julho, 2016

"O amor produtivo implica sempre uma síndrome de atitudes; as de cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento. Se amo, cuido - isto é, estou activamente empenhado no crescimento e na felicidade da outra pessoa; não sou um espectador. Sou responsável, ou seja, respondo às suas necessidades, às que ela expressa e ainda mais àquelas que ela não expressa ou não pode expressar. Respeito-a, ou seja (de acordo com o sentido original de re-spicere), olho para ela como ela é, objectivamente e não distorcida pelos meus desejos e medos. Conheço-a, penetrei através da sua superfície em direcção ao âmago do seu ser e relaciono-me com ela a partir do meu âmago, a partir do centro, ao contrário da periferia, do meu ser"

Erich Fromm, 
The Sane Society, 1956, p.32.

03 maio, 2016

ACASO

Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito, mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida, e a prova de que duas almas não se encontram ao acaso.


Antoine de Saint-Exupéry