Mostrar mensagens com a etiqueta maria teresa horta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta maria teresa horta. Mostrar todas as mensagens

17 agosto, 2016

Um outro tanto
Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia
é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
poder amar-te ainda
um outro tanto
Maria Teresa Horta, in “Inquietude”

02 fevereiro, 2016

PAIXÃO

Com a paixão faço
e armo
a construir-me no excesso
Apunhalo o coração
enveneno
o peito aberto
A paixão é meu
destino
meu final e meu começo
Morrer de amor
e de amar
é a morte que eu mereço

Maria Teresa Horta, in As palavras do corpo

16 outubro, 2015

Um outro tanto

Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia
é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
poder amar-te ainda
um outro tanto

Maria Teresa Horta, in “Inquietude”

12 março, 2015

UM OUTRO TANTO

Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia

é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
poder amar-te ainda
um outro tanto

Maria Teresa Horta,
in "Inquietude" quasi (06)

27 fevereiro, 2015

DELÍRIO

O desejo resolvido
A chama arrebatada
O prazer entreaberto
O delírio da palavra

Dou voz liberta aos sentidos
Tiro vendas, ponho o grito
Escrevo o corpo, mostro o gosto
Dou a ver o infinito

Maria Teresa Horta

11 setembro, 2014


inquietação


exijo-me inquieta
de sol
a intransigência
de qualquer cidade
penetrou-me
bastarda de mim mesma

igualdade repleta
de pesadelos
infinitamente brancos
o arrepio das árvores
nos ombros dos profetas

noites incompletas
onde me exijo
urgência


maria teresa horta
poesia 61
1961

30 julho, 2014

Desperta-me de noite


Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito

É rede a tua língua

em sua teia
é vício as palavras
com que falas

A trégua

a entrega
o disfarce

E lembras os meus ombros

docemente
na dobra do lençol que desfazes

Desperta-me de noite

com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo

E eu pouco a pouco

vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales. 

Maria Teresa Horta

06 julho, 2014

Os Silencios da fala
São tantos
os silêncios da fala
De sede
De saliva
De suor
Silêncios de sílex
no corpo do silêncio
Silêncios de vento
de mar
e de torpor
De amor
Depois, há as jarras
com rosas de silêncio
Os gemidos
nas camas
As ancas
O sabor
O silêncio que posto
em cima do silêncio
usurpa do silêncio o seu magro labor.
in Vozes e Olhares no Feminino,
Ed, Afrontamento, Porto 2001, pp. 40, 41

26 junho, 2014

ÁGUA
Abro-te as portas querendo
a tua luz
numa sede de ti que não se acalma...

Não me negues a água
que mata a minha sede

Desejo o teu incêndio
queimando a minha alma

Maria Teresa Horta 
in As Palavras do Corpo, D. Quixote, 2012, p 256

18 junho, 2014



Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia
é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
poder amar-te ainda
um outro tanto

Maria Teresa Horta, in “Inquietude” quasi (06)

17 junho, 2014


VERTIGEM
Quando sob o meu
está o teu corpo
e eu nado dentro
do desejo e enlaço

os teus ombros as ancas
e o dorso
enquanto o espasmo se faz
num outro abraço

Desprendo a boca
depois
no grito solto
 
Mordo-te os pulsos
ambos
no orgasmo

Volto ao de cima
da água
do meu gosto

Bebo-te a vertigem
e em seguida o hálito


in «366 Poemas que falam de amor», por Vasco Graça Moura,
Ver Ref.s em Livros de Apoio

14 março, 2014


à tua espera


Tranquila e serena
a nossa casa
nos quatro cantos
o sol do meio-dia

à tua espera alegre
e descansada
injecto-me de amor às
escondidas

Sobre a garganta passo
os dedos espessos
e a roupa uma a uma
vai caindo

para que então amor
com os teus dedos
quando vieres me vás
depois vestindo

maria teresa horta
candelabro
1964

08 março, 2014

Em liberdade


Em liberdade
somos
nós mulheres o cimo
da raiz

o caule que
suporta
o peso do fruto e da flor

No ventre das mulheres
o sossego é fértil

em nós cresce o amor





Maternidade  (I)

Mães do povo somos:
a raiz

Matriz
de um Portugal novo
corre-nos no ventre
o sangue do país



Maria Teresa Horta

03 fevereiro, 2014

"Morrer de Amor"

Morrer de amor 
ao pé da tua boca 

Desfalecer 
à pele 
do sorriso 

Sufocar 

de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso


Maria Teresa Horta, in “Destino”

20 janeiro, 2014

Os Silêncios


Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo

Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo que não
digo

Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo

Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo


 MARIA TERESA HORTA


Poeta, ficcionista e jornalista. 
Talvez irreverente, com os sentidos à flor do seu corpo, num gosto feminino, delicado, do tamanho da sua alma interior. Sente e deixa que esse sentir flua para o mundo de outros sentidos...