31 janeiro, 2014


Gostaria de te conhecer ao ritmo do ciclo de uma flor silvestre. Desde quando a semente brota na terra, sem qualquer intervenção e inicia o seu percurso. Se pequena intervenção houver é por casualidade do cosmo, em ritmo celeste numa compreensão singular de qualquer fenómeno. Se explicação houvesse, que fosse empírica por não ser igual a nenhuma outra ação. Se genérica, então breve para não se perder o detalhe, a minúcia. Uma harmonia entre céu e terra que proporciona o germinar de uma semente. Algo sem pressa nem ansiedade, num fluir simbiótico com cada estação. Sem perguntas nem respostas, numa relação coerente entre os nutrientes que habitam o solo, e a energia que provem do céu. Sol e chuva, e qualquer ação humana que possa existir. Um desabrochar leve e doce, vivaz e seguro. Um verde caule que desponta, se enraíza e cresce ao ritmo do que o circunda. Um fortalecer de base, para que cada folha vingue no seu esplendor e função. Em cada transformação e alimento diário a permissão para se continuar a crescer. A cada geada e orvalho um sorriso, uma reação natural à cor e ao sentir as coisas. Na primavera a vivacidade e um crescimento natural rumo àquilo que nos cumpre. Florir, sem que a cor nos defina a espécie para que a singularidade permaneça a cada instante. A cada florir o fruto de nós, do que somos e do que habita em nós dentro e fora do caule. E para além da materialidade que possa existir, o mundo num todo. Mesmo assim manteria a vontade de te conhecer de novo, e a cada fruto uma nova semente, um novo germinar.

a.tereso 
(29.01.2014)


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