Expomo-nos
à consulta do Sr. Baldaya
Sem
sabermos quem somos, um para o outro,
E
correndo o risco que ele nos desvende.
Talvez
sejamos acasos de instantes,
Pouco
e nada de muito.
Somos
simplesmente, aqui e agora
Sem
nada para trás e para a frente.
Tu
de cabelo solto, mãos grandes
E
suaves, com o coração cheio,
E eu
de camisola amarela.
Dedo
aqui, conversa para ali e aos poucos
Partilhamos
muito. De onde vens?
Pergunta
atrás de resposta,
Neste
jogo psicológico de ternura
para
te ter um pouco mais.
Bebemos
chá para que a conversa não arrefeça,
E em
cada gole um pouco mais de nós.
Não
necessitamos de açúcar
Para
que a conversa fique doce
E nos possa viciar de curiosidade.
São
cinco para a meia noite,
E
tenho que ir! Gostei de ter ter por perto.
Terminámos
a nossa carta astral por hoje,
Porque
o amanhã, deixamos encarregue
Aos
astros e ao Sr. Baldaya...
a.tereso
«O horóscopo revela, pouco mais ou menos, o que vida vê.»
Em 1934, Fernando Pessoa publicou o único livro de sua carreira, Mensagem, para enviar a um concurso de poesias sobre Portugal. O livro é totalmente simbólico e em sua própria introdução Pessoa pede que o interpretemos como símbolo. É fato público e notório que Fernando Pessoa era astrólogo. Seus escritos astrológicos mais antigos são de 1908, quando o poeta tinha 20 anos. Por toda sua vida ele se utilizou da Astrologia, chegando inclusive a fazer as cartas astrológicas de seus heterônimos e a escrever um tratado sobre o assunto, em 1916, sob o heterônimo de Raphael Baldaya.
Além disso, Pessoa foi templário, maçon, teosofista e outros. Em sua biblioteca, além dos grandes filósofos encontramos obras de Blavatsky, Leadbeater, Krishnamurti, Mabel Collins, Alan Leo, Manly Palmer Hall e Rudolf Steiner. Pessoa inclusive traduziu 'A Voz do Silêncio" e "Luz no Caminho". Tudo isso leva a crer que conhecia e trabalhava com astrologia transpessoal. A segunda parte de Mensagem, chamada Mar Portuguêz, é composta de doze poemas que têm uma notável relação com os 12 signos.

Sem comentários:
Enviar um comentário