27 fevereiro, 2014

O Inominável


Nunca
dos nossos lábios aproximaste 
o ouvido; nunca
ao nosso ouvido encostaste os lábios;
és o silencio,
o duro espesso impenetrável
silêncio sem figura.
Escutamos, bebemos o silencio
Nas próprias mãos
E nada nos une
- nem sequer sabemos se tens nome.

Eugénio de Andrade
(Portugal 1923-2005)
In Poesia

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