Não te sei explicar porquê. E se porquê houvesse não queria
saber. O que sinto é um sentir sem querer, sem procurar, sem ter porque lutar.
Nunca senti uma energia tão limpa por quem me tenha apaixonado. Na realidade
desconfio que possa estar apaixonado, se nem sequer delineei uma estratégia
para te encontrar. Que estratégia se pode engendrar para os sentimentos? Que
controlo se tem perante forças que não nos pertencem. Não te quero como cheguei
a querer das outras vezes, e o que albergo é um sentimento sem querer, simples e
sem vontade de desejo. Não é uma luta, tão pouco um troféu ou uma simples
vontade. É um sentimento livre, puro e
consciente no que sou. Nada faço e que posso eu perante o destino? Permito-me
somente ser e estar, dar por inteiro em ritmo natural e consciente. Num verbo
sem carne. Um consciente sem razão, detentor de um inatismo crescente e real.
Nada peço nem quero, e envolvo-me no ritmo que a natureza tem para levar nesta
vida até ti. Vou de mãos limpas, peito aberto, para o que acredito e para a
natureza que me desperta e alimenta.
a.tereso
(algures pelo início de fevereiro)
(algures pelo início de fevereiro)
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