Já oiço falar do 25 de Abril à mais de 25
anos. Mas para ser sincero, não sei o que é hoje o 25 de Abril. Tão pouco sei o
que é uma Liberdade sem valores, agarrada ao passado, e tão pouco consciente no
presente. Se o não sei, é porque não passei por aquilo que quem tem mais de 60
anos viveu e passou antes de 1974. O que sei recebi-o de mão beijada, de
herança, da revolução dos cravos, dos valores, dos princípios, de homens e
mulheres que talvez hoje já não existam...
Como a ganhámos, perdemo-la tenho ideia. Não
sei qual foi o momento e se temos consciência disso. Se até então comandámos o
nosso destino, e tínhamos como lema “o povo é quem mais ordena”, a uma dada
altura demos a nossa responsabilidade aos outros, para que outros tomassem
conta das nossas vidas... “Vendemos a alma ao diabo”, se me permitem!
Creio que foi esse momento que nos fez perder
a liberdade. Quando nos acomodamos e nos sujeitamos ao pousio da nossa atitude.
Quando o dinheiro europeu nos comprou os princípios e a consciência, e
entregamos aos outros a responsabilidade que cabia a cada um assumir. Dêmos a
liberdade por nada, e com nada ficamos. Um nada de consciência, de valores, que
foi o mote de quem fez a revolução de Abril.
Iludimo-nos com a liberdade, com as auto
estradas, com os facilitismos, com os créditos, e com isso ganhámos umbiguismo,
comodismo, desinteresse, perda de identidade. Nem tudo são rosas com espinhos,
também há cravos. Também houve muitas coisas boas... que nós, que não vivemos o
25 de Abril não conseguimos ter a idea!
Mas deixemo-nos de viver no passado,
sobretudo quem o não viveu. É importante recuperar os valores de abril,
cultivar uma consciência crítica com atitude e responsabilidade. É importante
fazer uma nova “revolução de abril”, ou de maio, ..., mas interior, assente na
responsabilidade que cada um tem, perante um todo que nos pertence. Importa
recuperar esse comunitarismo, esse entrelaçar de mãos e pensarmos novamente num
todo, e não em cada parte. Todos somos responsáveis, e não este e aqueloutro.
É preciso inscrever/ esquecer Abril, e dar um passo em
frente. Voltar a assumir a nossa responsabilidade e perceber o que realmente é
importante. Deixemo-nos de ilusões políticas e assumimos o nosso papel de
cidadãos. Em marcha lenta que se invada as escadarias do parlamento, e nos
façamos sentir. Estamos vivos! Temos opinião e queremos inscrever a liberdade,
com tudo o que ela implica. O 25 de Abril é aqui e agora, em aceitação e consciência!
Bem haja, a.tereso
Sem comentários:
Enviar um comentário