
Cozinhamos a uma só mão para que a energia se concentre e disperse pelos alimentos.
Parte de nós mistura-se com o paladar do desejo e com os olhares de ternura que se trocam
com o chorar da cebola.
Não ligamos à receita, pois a criatividade vive em nós e não permite o simples corte dos sentidos. Sente-se e deixamo-nos ir pelo cheiro do estrugido.
Coloca-se o millet e deixamo-lo voar no calor do nosso corpo. Adicionamos água para que a energia flutue e nos leve para outro sítio. Levanta-se a fervura! Venha o sal, para que a nossa vida ganhe mais sabor. Sabor de mar e de quem navega pelos sonhos.
Mexe-se mais uma vez, a uma só mão. Sinto-te em mim!
Fecha-se a panela, abre-se o coração e esperamos por 10 min. na surpresa do que possa dai surgir. Desliga-se o lume sem nada esperarmos. Assim fica por um pedaço enquanto nos arrumamos. Está pronto a servir. Hum, soltinho como queríamos.
Damo-nos a provar e saboreamo-nos numa só boca.
a.tereso
(12 de Novembro de 2013)
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