04 junho, 2014

Dança Balança Europeu e Nacional


um jogo de cadeiras, um jogo de poder

Venho por este meio fazer um balanço das ultimas eleições europeias, e perspetivar as próximas eleições legislativas.
Atualmente verifico o que outrora se apelidou de Decadentismo Europeu, pela fragmentação que se evidência a nível estratégico, económico e social na Europa. Há cada vez mais desemprego, subjugação e pobres (de barriga e espírito), isso leva a que partidos extremistas ganhem evidência e poder nos seus países, com os seus programas nacionalistas, estratégias extremistas de apoio ao emprego, semicerrando-se em si e ao mundo. Os partidos do poder, apesar de o manterem, deixam aos poucos a sua supremacia, evidenciando algum nervosismo, pelo surgimento de novos partidos e (novas) forças políticas.
Surge também com maior expressão os partidos ecológicos/ verdes, com ideias arejadas e com estratégias ajustadas a um novo mundo globalizado e consumista, que se esquece de viver em comunidade, com princípios comuns e harmonia com a (sua) Natureza. Importa perceber a aplicabilidade dessas ideias, e a capacidade desses partidos em colocar em prática essas estratégias.
Creio que parte desse decadentismo se deve à classe que ocupou/ ocupa o setor político. Na origem da democracia, e nem sempre assim era, quem assumia a RESPONSABILIDADE política eram individualidades com experiencia e provas dadas na sociedade que assumiam esse papel pelos seus valores e práticas. Essas individualidades, apesar de nem sempre o fazerem na sua plenitude, defendiam um bem comum, através de uma estratégia imparcial e idónea. Mas esses princípios já não regem os políticos e quem faz política, e o governo é em seu interesse e não sob o lema do interesse comum.
A verdade é que já poucos sabem quais são os seus verdadeiros interesses, iludindo-se e esquivando-se das suas responsabilidades enquanto cidadãos, delegando a outros o poder que lhes cabe. A abstenção é um não partido, que a cada votação ganha mais força, e que se apela que resolva o que cada um pode resolver. Importava dar expressão aos votos em branco e nulos, para averiguar a veracidade da abstenção e perceber se o desinteresse era pela política ou na falta de ideias e estratégias da classe política. A este respeito existe medo.
O que se passa a  nível interno é o que se passa na generalidade dos países (sobretudo os latinos). A classe política vive para a oposição, o não confronto de ideias e soluções. Política do “bota a baixo”, do “eu faço diferente”, “as tuas ideias não servem”, “quando para ai for faço melhor e diferente”, ect..

Nestas eleições europeias o partido que proclamou vitória foi o que mais perdeu, pela sua arrogância e falta de verdade, terminando numa crise interna e de valores políticos no seio do seu partido. A meu ver este resultado indica que o PS é visto com reticências para assumir a governação do país, e isso é uma grande derrota. Mas houve mais derrotados. O partido do (des)governo, apesar da aliança e do programa delineado para o país, sai com uma derrota amena pois quase obteve um empate percentual com o partido vencedor. O PSD nunca sozinho tinha obtido tão pequena percentagem (inf.30%), e tendo concorrido em aliança com o CDS-PP não chegou a obter essa percentagem. Foi uma grande derrota para ambos os partidos da coligação, mas que passa despercebida não tendo o PS atingido uma vitória esmagadora. Importa perceber o que irá acontecer no futuro. O voto útil nestas eleições ficou numa individualidade que não tem medo de falar, e diz o que o que se quer ouvir. Importa perceber se com o tempo não cairá no mercantilismo partidário e ficará sem voz.
Importa perspetivar as próximas legislativas, e tecer algumas reflecções sobre o que se passou nestas europeias. É certo que estes atos eleitorais são distintos, mas percebe-se que se as legislativas fossem hoje, existiria quase um empate entre as forças habituais do poder PSD e PS, e que a governabilidade só era possível com entendimento e dialogo entre partidos.
É muito possível que os partidos da coligação (PPD-PSD e CDS-PP) não irão concorrer às legislativas como aliança, para não perderem votos, e o PS irá ter um novo líder, que transmita mais confiança e capacidade de liderança, de modo a alterar este panorama político de desgovernação futura por não entendimento e falta de maioria política.
Creio que a solução é o diálogo interpartidário e isso deve de uma vez por todas acontecer. Mas não só entre partidos habituais do poder, com vícios e doenças que não tem cura. Importa dar expressão a novos partidos que surgiram ou possam surgir, com novas ideias e valores, para que a classe política vigente possa entender que é tempo de mudar, e de criar diálogos entre partidos, para que num todo se crie uma estratégia em conjunto de governabilidade, com responsabilidade e diálogo critico.
Importa neste tempo que ainda falta, cada um criar o seu partido, fazer uma avaliação do seu estado, dos seus objetivos, de modo a perceber que estratégia quer para este mundo em mudança. A mudança começa em cada um de nós, assumindo as suas responsabilidades, e deixando de lado o umbiguismo, partido que se apoderou de todos nós, e que não nos permite viver em liberdade e consciência com a (nossa) natureza. A política somos nós, e nós é que fazemos política! 
a.tereso

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