Trinca esta maça que te dou
São os néones da noite que me despertam os sentidos e a
superficialidade do meu sexo. Vou à procura do teu corpo esguio, fértil para
que consiga adormecer. Refugio-me no álcool. Fumo um charro. Vou sem destino, à
deriva. Olho à minha volta e tudo me é familiar. Chego a um cais e entro num
barco. Não sei remar e não há vela. Nado. Canso-me de nadar e flutuo a ver onde
me leva o vento. Adormeço. Acordo molhado e com frio.
Dei à costa, mas não sei onde estou. Ai fico até que me
encontres. Há um pessegueiro e luz lá longe. Quero aqui ficar. Ai fico até que
deixes de habitar em mim. Aqui fico até ao naufrágio do raciocínio que nos
afasta e que não tem sentido. Apesar de longe, vives na mesma ilha que eu. Estás
convidada a habitar no amor. Onde estou eu e um pessegueiro. Mas também há
maças. Queres uma para trincar?
a.tereso
a.tereso
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