11 julho, 2014


Trinca esta maça que te dou

São os néones da noite que me despertam os sentidos e a superficialidade do meu sexo. Vou à procura do teu corpo esguio, fértil para que consiga adormecer. Refugio-me no álcool. Fumo um charro. Vou sem destino, à deriva. Olho à minha volta e tudo me é familiar. Chego a um cais e entro num barco. Não sei remar e não há vela. Nado. Canso-me de nadar e flutuo a ver onde me leva o vento. Adormeço. Acordo molhado e com frio.
Dei à costa, mas não sei onde estou. Ai fico até que me encontres. Há um pessegueiro e luz lá longe. Quero aqui ficar. Ai fico até que deixes de habitar em mim. Aqui fico até ao naufrágio do raciocínio que nos afasta e que não tem sentido. Apesar de longe, vives na mesma ilha que eu. Estás convidada a habitar no amor. Onde estou eu e um pessegueiro. Mas também há maças. Queres uma para trincar?

a.tereso

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