21 julho, 2014

Um Ofício que Fosse de Intensidade e CalmaUm ofício que fosse de intensidade e calma 
e de um fulgor feliz E que durasse 
com a densidade ardente e contemporâneo 
de quem está no elemento aceso e é a estatura 
da água num corpo de alegria E que fosse   fundo 
o fervor de ser a metamorfose da matéria 
que já não se separa da incessante busca 
que se identifica com a concavidade originária 
que nos faz andar e estar de pé 
expostos sempre à única face do mundo 
Que a palavra fosse sempre   a travessia 
de um espaço em que ela própria fosse aérea 
do outro lado de nós e do outro lado de cá 
tão idêntica a si que unisse o dizer e o ser 
e já sem distância e não-distância nada a separasse 
desse rosto que na travessia é o rosto do ar e de nós próprios 


António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"

Talvez o trabalho sejamos nós e parte de nós, 

e o maior trabalho sabermos o que somos e para o que viemos. Talvez o trabalho seja sorrir e abrir-mo-nos a cada dia, aceitar-mos o que ele nos dá com gratidão, num tempo dedicado ao que nos envolve e concretiza. Um trabalho, sem trabalho, nem obrigação, na plenitude do que nos envolve e no momento em que vivemos. Que o nosso maior trabalho seja dedicado ao coração e á leviandade dos sentidos. Que imanentemente possamos viver nesse ofício, o de amar!a.tereso

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