(...) O amor é tão
monótono, querida. Porque ele é o cimo sensível de uma imensidade de coisas que
se esqueceram. Como falar desse mínimo que é o vértice de todo um mundo que o
sustenta? Falar de nada, que é o todo nele? Sandra. Podia dizer o teu nome
infinitamente na multiplicação do que nele me ressoa. E é assim o que mais me
apetece, dizê-lo dizê-lo. E ouvir nele o maravilhoso que me abala todo o ser.
Poderia escrever o teu nome ao longo do que escrevo e teria talvez dito tudo.
Mas eu quero desse tudo dizer também o que aí se oculta. Dizer o meu enlevo e a
razão de ele me existir. As tuas mãos nas minhas. O incrível miraculoso de eu
dizer o teu rosto. O ardor de um meu dedo na tua pele. Na tua boca. O terrível
dos meus dedos nos teus cabelos. (...)
Vergílio Ferreira in Cartas a Sandra
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