21 abril, 2016

As fases do "Amor"

Primeiro encantamo-nos. O encanto amplia os nossos sentidos, altera a nossa percepção, integra as partes de nós que soltas actuavam separadamente. Nós sentimo-nos leves, únicos, inteiros. A outra pessoa é um sol que brilha no céu da nossa vida, tudo é perfeito, porque nos sentimos aperfeiçoados.

Este tempo de encantamento renova toda a nossa circulação, muda a nossa aparência, faz-nos mais belos, mais alegres, faz-nos mais e maiores.

Tudo nesta existência tem um propósito e um tempo, e tudo muda, para mais tarde retornar, nunca o mesmo, o que fizermos de diferente trará as diferenças do que virá.
Depois do encantamento começamos a olhar o outro como nos vemos a nós, e ele fica real, não como é realmente, mas como somos verdadeiramente.

A magia desaparece, não porque deixe de existir, mas porque nós deixamos de a fabricar.
Nessa fase em que se separa o trigo do joio é que se constroem as relações. O Amor, esse só nasce no fim, na fase que precede o encontro com o que é, com o que somos. Porque como diz uma amiga: "o Amor não é um sentimento, é a acção e a atitude com que se movem os nossos sentimentos."

É amor quando depois de nos encantarmos, de nos confrontarmos, de nos zangarmos, de nos pormos em causa, nos rendemos, nos entregamos, nos despimos e principalmente nos aceitamos.

Nessa fase há um novo encantamento. Uma profunda renovação. Unem-se as almas e nada mais voltará a ser igual.

Não há explicações, nem regras, nem formulas, há um coração que se bate num corpo que quer acima de tudo viver e sentir.

Mas por vezes, o coração fecha-se e deixa de se encantar, e senão há princípio, também não fim, e o coração torna-se temoroso de voltar a amar.

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