Como era puro, meu irmão, o procurador da tua falência — ouço os teus soluços, as tuas pragas —. Ó vida transcrita do grande sal maternal! O homem com dentes de furão embebia o seu zénite na terra das adegas, o homem com tez de espião intumescia a beleza bem-amada em toda a parte. Velho sangue abobadado que me governas, espreitamos até ao horror o degelo lunar da náusea. Estonteamo-nos com uma paciência selvagem; uma lâmpada que nos era desconhecida, que nos era inacessível, no cabo do mundo, mantinha despertos a coragem e o silêncio.
Rumo à tua fronteira, ó vida humilhada, marcho agora ao compasso das certezas, prevenido de que a verdade não precede obrigatoriamente a ação. Irmã louca da minha frase, amante selada, salvo-te de um hotel em escombros.
O sabre bubónico cai das mãos do Monstro no final do êxodo do tempo de se exprimir.
René Char
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