Num outro lugar
Nunca na minha casa tinha entrado um gato. Os gatos que se viam por perto, era livres, dormiam nos palheiros e caçavam ratos. Claro alguns davam a mão, mas eram poucos. Também porque sempre tivemos cães grandes para guardar a casa.
Até que um dia decidi ter um gato. Já não havia animais à algum tempo. Estava eu em Braga. Uma febre para a minha Mãe. Animais em Casa! Proporcionou-se a casualidade. Sebastião Estrugido, assim por mim designado nasceu a 30-05-2008, sob signo gémeos e com uma personalidade vincada. Persistente como o dono e com dupla personalidade como tão bem caracteriza este signo. Ainda me lembro como se fosse hoje da sua viagem para Braga.
Quando era pequeno sonhava ser um cão e deambulava pela rua atrás de seu “dono”, “anda estrugido”. Ali passou a sua infância. Creio eu, feliz! Entre três homens que o acarinhavam. Mesmo assim, não se livrou de perder a sua masculinidade, mesmo que nunca se tenha apercebido. Em 2009, com a minha ida para Barcelona foi para casa da minha mãe. Uma nova doença para ela. O meu pai até achou graça, até chegar o Levezinho (cão). A partir de ai só andou comigo no meu coração. Creio que levou “aquele” abandono a sério e fez birra durante algum tempo.
Quando regressei não me ligou, dei-lhe tempo, até que o (re) conquistei com mimo. Mesmo assim era o meu fiel companheiro sempre que ia para o quintal mimar a terra. Com a chegada do Levezinho (outra doença, pelo menos ao inicio para a minha Mãe, porque era para ter em casa) e com os anos, passou para segundo, terceiro plano. Deixou de dormir na garagem com mordomias, para ir dormir nos anexos. Perdi autoridade ao estar longe. Mesmo assim ainda era mimado quando ia de fim de semana e pelas pessoas que iam lá a casa.
Com a minha vinda para Londres, foi entregue a quem me tinha dado. Ai passou uns meses com atenção e carinho. Mesmo assim vinha visitar os meus pais, porque era ai também a sua casa. Era devolvido. No dia em que cheguei, voltou a aparecer em casa. Veio receber-me, porque já não aparecia à uns dias. Estava magro e triste. Talvez tenha comido algo envenenado. Ou talvez não. Parecia resistente e persistente como o tinha conhecido. Mas chegou o seu dia. Acredito que tenha partido para um outro corpo e acredito que nos voltaremos a encontrar, num outro lugar.
a.tereso

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