EM CASA
Por vezes chego a sítios com a sensação de nunca lá ter saído. Ou com a sensação que o tempo não passou, e que ficou tudo inomobidavel até eu voltar a chegar. Acontece o mesmo com pessoas, cheiros, paisagens... será uma identidade individual que nos pertence e entranha no sangue. Uma felicidade insípida e de gratidão. O tronco e os vários braços da nossa árvore têm uma base, uma raiz em comum. Um solo, água e um sem número de elementos. Mesmo que cada braço dê frutos diferentes. A génese do princípio das coisas é o reconhecimento que tudo o que nos constitui é herdado a cada presença, a cada momento a que nos entregamos. A genética herdamo-la e criamo-la nós. Herdamos as raízes mas somos nós que contribuímos para que a árvore cresça e se cumpra. Por onde passo deixo sementes de felicidade e é por isso que quando regresso me sinto em casa. Na verdade sinto-me em casa onde estou, porque me rodeio de árvores que geram frutos. Que nascem e morrem na insustentabilidade de ser. Somos uma semente e é importante nos semearmos uns aos outros em cada existência da nossa presença.
a.tereso
"ontem durante a viagem"
"ontem durante a viagem"
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