28 janeiro, 2017

O Tempo – arte de fazer algo

No primeiro dia fui conhecer o espaço e perceber os planos que estavam delineados. O Stewart tinha uma lista de afazeres para ajudar. O conhecimento, as primeiras palavras, a interação que só existe conhecendo, levou a uma selecção natural dos afazeres. A prioridade delineada em conjunto foi iniciar a horta em permacultura e a reabilitação de um velho barracão.

Como de costume, e creio ser parte integrante, racionalizei os processos, para os concretizar com calma e tranquilidade, prevendo dificuldades e formas de os cumprir. Observei onde nascia o sol, onde se punha, o Norte, senti a terra, o vento, tentei informar-me sobre o Tempo, função, principais culturas, etc., para desenhar, planear o melhor sistema de cultura para o local onde se pretende ter a horta. O mesmo fiz para a reabilitação das zonas sensíveis do venho “museu”. Mas nesta área não me dei tanto tempo, por me ser demasiado familiar e por o objeto ser um simples barracão de arrumos.

Mas antes de mais, falo na prática. E a importância da prática para a minha vida. Nos primeiros dias, voltei a criar uma natural rotina. Algo que nos sustenta e permite dar-nos ao tempo. Nestes dias, acordei sempre de forma natural por volta das 7h, antes do romper do sol, para meditar um pouco, ler, ou simplesmente ficar. Dava-se meia hora a isso, para depois tomar o pequeno almoço tranquilamente. Sair de casa pelas 9h e começar os afazeres. A preparação das refeições são rotativas, mas como é uma área familiar, muitas vezes tomo a iniciativa por gosto. A alimentação, mais cuidada e bem doseada, também voltou a ter maior critério, assim como a ultima refeição do dia, antes de jantar. As rotinas, ou a exigência com a alimentação, não é mais que darmos valor e cuidar do corpo, dos seus desejos e falências.

Voltei a correr, a deleitar-me com os livros e claro, as caminhadas ao final do dia, ida à floresta tem sido parte integrante neste dia a dia. Algo que também me tenho dedicado, ou por outra voltado a potenciar em mim, é a observação, contemplação, o momento. O estar em mim, onde estou, com sentido e propósito. E se tenho visto bonitos céus, nasceres e pores do sol.


E é por aqui que fico, quase a terminar este primeiro encontro, onde voltei à minha rotina, ao meu descanso pelo desfrute do trabalho, do ser útil para o todo. 

a.tereso 


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