O
Tempo – arte de fazer algo
No
primeiro dia fui conhecer o espaço e perceber os planos que estavam
delineados. O Stewart tinha uma lista de afazeres para ajudar. O
conhecimento, as primeiras palavras, a interação que só existe
conhecendo, levou a uma selecção natural dos afazeres. A prioridade
delineada em conjunto foi iniciar a horta em permacultura e a
reabilitação de um velho barracão.
Como
de costume, e creio ser parte integrante, racionalizei os processos,
para os concretizar com calma e tranquilidade, prevendo dificuldades
e formas de os cumprir. Observei onde nascia o sol, onde se punha, o
Norte, senti a terra, o vento, tentei informar-me sobre o Tempo,
função, principais culturas, etc., para desenhar, planear o melhor
sistema de cultura para o local onde se pretende ter a horta. O mesmo
fiz para a reabilitação das zonas sensíveis do venho “museu”.
Mas nesta área não me dei tanto tempo, por me ser demasiado
familiar e por o objeto ser um simples barracão de arrumos.
Mas
antes de mais, falo na prática. E a importância da prática para a
minha vida. Nos primeiros dias, voltei a criar uma natural rotina.
Algo que nos sustenta e permite dar-nos ao tempo. Nestes dias,
acordei sempre de forma natural por volta das 7h, antes do romper do
sol, para meditar um pouco, ler, ou simplesmente ficar. Dava-se meia
hora a isso, para depois tomar o pequeno almoço tranquilamente. Sair
de casa pelas 9h e começar os afazeres. A preparação das refeições
são rotativas, mas como é uma área familiar, muitas vezes tomo a
iniciativa por gosto. A alimentação, mais cuidada e bem doseada,
também voltou a ter maior critério, assim como a ultima refeição
do dia, antes de jantar. As rotinas, ou a exigência com a
alimentação, não é mais que darmos valor e cuidar do corpo, dos
seus desejos e falências.
Voltei
a correr, a deleitar-me com os livros e claro, as caminhadas ao final do dia, ida à floresta tem sido parte integrante neste dia a dia. Algo que também me tenho dedicado,
ou por outra voltado a potenciar em mim, é a observação,
contemplação, o momento. O estar em mim, onde estou, com sentido e
propósito. E se tenho visto bonitos céus, nasceres e pores do sol.
E
é por aqui que fico, quase a terminar este primeiro encontro, onde
voltei à minha rotina, ao meu descanso pelo desfrute do trabalho, do
ser útil para o todo.
a.tereso

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