20 janeiro, 2017

Pontos Cardeais - a Norte da ilha

Faz hoje uns dias que cheguei. E escolhi chegar a Dublin. Podia dizer o que me fez escolher em primeiro lugar este porto e a Irlanda para começar esta descoberta. Mas fica em mim, como uma crença, algo que não se pode racionalizar e colocar em palavras. Por vezes os silêncios são maiores e creio que prefiro em parte nesta viagem viver os silêncios.
Gostei de Dublin, gostei do rio e do céu ao final do dia. Deambular é algo natural em mim, absorver os cheiros, as cores e ver os ritmos das coisas, para sentir a identidade de cada lugar. Facilitou esta interação quem me recebeu, quem me possibilitou ficar. Agradeço ao Tiago e Lisa por abrirem as suas portas e a quem me passou o contacto!

A azáfama da cidade já me dá conta que se repete, que me faz mover a um ritmo que não quero mas que me obriga, que me faz acreditar ser aquele o possível e transitável tempo desta realidade. Cada vez que saio dela, ou desse tempo, dou graças aos instantes em mim e que dou ao outros. Ao cuidado de mim, ao que como e faço. Talvez tenha sido por isso que tenha vindo. Para me cuidar, para duma vez por todas não contradizer o que sou e conscientalizá-lo. Apesar de o fazer de vários modos e maneiras.

O meu primeiro projeto é na Tullyquilly House, na pequena vila de Rathfriland, Norte da Irlanda na quinta do Stewart. Partilho um parágrafo de um texto que me partilhou:

The dream………….. is to create a place where people will come to work, to learn, to share skills and conversations; and help to create a sustainable micro-community where we can eat more from the garden and less from supermarket, make more compost and throw out less plastic, plant more trees and need no oil to burn for heat. Already more electricity is created than is used, more trees are planted than cut for firewood and there is a steady stream of positive people applying to come and share their time here.”

É neste presente em que acredito e é nele que quero viver.
No primeiro dia fui recebido com neve, com a pureza dos céus e com o frio que nos sente e faz sentido. E com um pôr do sol quente, lareira, uma chávena de chá e a simpatia. Assim tem sido. Despende-se tempo para agradecer, partilhar e sorrir. Por nada e para nada. E é para isto que aqui estou.

a.tereso


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