Pontos Cardeais - a Norte da ilha
Faz
hoje uns dias que cheguei. E escolhi chegar a Dublin. Podia dizer o
que me fez escolher em primeiro lugar este porto e a Irlanda para
começar esta descoberta. Mas fica em mim, como uma crença, algo que
não se pode racionalizar e colocar em palavras. Por vezes os
silêncios são maiores e creio que prefiro em parte nesta viagem
viver os silêncios.
Gostei
de Dublin, gostei do rio e do céu ao final do dia.
Deambular é algo natural em mim, absorver os cheiros, as cores e ver
os ritmos das coisas, para sentir a identidade de cada lugar.
Facilitou esta interação quem me recebeu, quem me possibilitou
ficar. Agradeço ao Tiago e Lisa por abrirem as suas portas e a quem me passou o contacto!
A
azáfama da cidade já me dá conta que se repete, que me faz mover a
um ritmo que não quero mas que me obriga, que me faz acreditar ser
aquele o possível e transitável tempo desta realidade. Cada vez que
saio dela, ou desse tempo, dou graças aos instantes em mim e que dou
ao outros. Ao cuidado de mim, ao que como e faço. Talvez
tenha sido por isso que tenha vindo. Para me cuidar, para duma vez
por todas não contradizer o que sou e conscientalizá-lo. Apesar de
o fazer de vários modos e maneiras.
O
meu primeiro projeto é na Tullyquilly House, na pequena vila de
Rathfriland, Norte da Irlanda na quinta do Stewart.
Partilho um parágrafo de um texto que me partilhou:
“The
dream………….. is to create a place where people will come to
work, to learn, to share skills and conversations; and help to create
a sustainable micro-community where we can eat more from the garden
and less from supermarket, make more compost and throw out less
plastic, plant more trees and need no oil to burn for heat. Already
more electricity is created than is used, more trees are planted than
cut for firewood and there is a steady stream of positive people
applying to come and share their time here.”
É
neste presente em que acredito e é nele que quero viver.
No
primeiro dia fui recebido com neve, com a pureza dos céus e com o
frio que nos sente e faz sentido. E com um pôr do sol quente,
lareira, uma chávena de chá e a simpatia. Assim tem sido.
Despende-se tempo para agradecer, partilhar e sorrir. Por nada e para
nada. E é para isto que aqui estou.
a.tereso

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