13 fevereiro, 2017

A fuga do tempo
Tullyquilly House até já

Já não escrevo estas palavras no seu tempo e quiçá não o recupere. Estou em simultâneo no passado e presente. Isto faz com que a realidade, o momento se perca e seja transformado. Já estou com uma ideia ausente e longínqua do que sucedeu. Já será um julgamento, uma observação de um tempo/ período que passou e não volta mais. Apesar disso, escrevo e pretendo ficar no tempo. Neste em que agora vivo.
A vida é uma constante celebração, ou será este um dos bens maiores princípios da vida. Os últimos dias na Tullyquilly House foram então de celebração. Celebração do encontro, do momento em que cada um vive e dos objetivos que cada um se propôs cumprir e que se cruzam num todo, quer queiramos ou não.
Cumpri-me, cumpriu-se e enraizou-se silêncios. Houve um momento em que nos confrontamos, talvez para que a realidade se cumprisse e todos pudessem sair mais fortes. Foi aquando um dos afazeres na floresta. Transplante de árvores. Algo que considero sagrado, íntimo e de alguma responsabilidade. O objetivo era replantar árvores, sem ter grande consideração por elas. Ofereci então e parte do meu tempo para que o trabalho fosse feito com mais coração e não só fazer por fazer e daqui a uns anos cortar as árvores. Não estava feliz com que estava a fazer e disse. A vida tem significada para tudo e para todos. Uma árvore é uma vida, é húmus, é ar, sombra, energia, um abrigo, um poleiro, etc..
Sei que nestes tempos, por estar por vezes “longe”, longe de mim, que estou mais sensível, mais frágil. Também um pouco pela ausência de açúcar, que sempre que posso afasto, conscientemente mas que interfere inconscientemente comigo.
Nos últimos dias, subia à montanha mais alta da Irlanda do Norte. Não que fizesse questão, pois para mim por vezes “a melhor vista é a meia encontra”, mas por estar em conjunto com alguém que queria muito esse desafio. Gelei, digo-vos, passei um bocado mal por não ir preparado para tal. Fiquei com as mãos como nunca tinha ficado. Mas deu para me sentir humano, real e isso foi bom. Por vezes endeuso-me e fico na minha retórica.
Ficam tantas outras coisas por contar, as pequenas coisas. Os pores do sol, o acender e estar à lareira, o pão quente diário, ou a simples companhia diária dos Robins. Os olhares e os silêncios, mas esses começam a ser integrantes, quando as palavras ganham insignificância, sejam elas em que língua.

Um até já...

a.tereso

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