07 fevereiro, 2017

Cultura permanente
Um olhar sobre as pequenas coisas

Antes de falar nos últimos dias da Tullyquilly House, quero-vos entrar em detalhe do que é para mim, neste momento a permacultura.
Terei que recuar, ou remeter para outros o que em mim habita e o significado que para mim tem essa cultura permanente.
A meu ver e sem grande rodeios, saber interagir e conhecer o meio, onde pretendemos habitar, construir, semear, colher e partilhar, é um dos princípios da subsistência, da sobrevivência ou da interação natural da nossa condição com as que nos envolvem.
Olhar às fases da lua, reconhecer cada estação, a importância das sobras, da exposição do sol, ou a orientação dos pontos cardeais, são naturais referências energéticas do nosso dia a dia, que por vezes nos esquecemos na nossa vida. As pequenas coisas. Quanto mais olhar para o solo, a micro fauna ai existente e a sua importância para as culturas agrícolas. Eco sistema, onde interagimos e vivemos, que importância têm, como respeitar, conhecer e cohabitar?


Algo que os meus avós e outras tantas ancestrais almas harmoniosas, foram praticando por necessidade e naturalidade, para tirar o melhor partido da terra e para si mesmo. Para vencer a fome e contrariar pobreza dos solos, necessidades humanas de sobrevivência.
Claro que com o meu percurso de vida, o estudo da macrobiótica, agricultura biológica, interesse pela biodinâmica e a leitura do Masanobu Fukuoca, interligaram tudo e ajudaram a fazer sentido.
Nós somos o que comemos”, dai importar muito o que comemos e sabermos de onde vêm as coisas. Já à algum tempo que semear, cuidar, colher, é um ato de cuidar de mim, é um ato meditativo e de rejuvenescimento. Talvez tenha sido esta a maior herança que recebi dos meus antepassados. A simplicidade de olhar para a terra sem proveito fácil, com generosidade e equilíbrio, permitindo-me interagir nos eco-sistemas que se interligam, de forma natural.


Foi um pouco disto que tentei transmitir ao Stewart. Saber observar e interagir em harmonia com o meio. Claro que ao empirismo, importa anexar pesquisa e conceitos técnicos. A constituição, equilíbrio do solo, são fundamentais para uma boa nutrição, assim como a consociação e rotatividade de culturas. Conhecer as pragas, fungos e auxiliares naturais, ajuda numa primeira fase, até que o “teu” ecosistema encontre um equilíbrio entre as partes. A nós, cabe-nos observar, nutrir, potencializar a natureza, de forma leve e equilibrada.

Observei a área. Coordenadas, pontos de água, área selvagem, área para cultivo, espaço, materiais, solo, árvores existentes, o que o Stewart pretendia, que investimento queria fazer. Estudei o clima e o tipo de culturas habituais. Esbocei um plano, o que considerava ser apropriado do geral para o particular. O que tinha, poderia arranjar e o que não havia disponibilidade. Sítio para abrigo de auxiliares, compostagem, estufa (produção e sementeira), flora auxiliar, culturas a considerar, consociações, etc. Voltei a pegar em lápis de cor, os que haviam e desenhei. Deixei parte do projeto nas mãos do Stewart, mas foi bom esta observação, interação e partilha.


São estes os meus princípios permanentes e que tento aplicar no meu dia a dia, que me foram transmitidos.

Partilho-vos também os princípios da permacultura.

Continuarei nesta pesquisa, empírica mas também técnica, para que seja cada vez mais leve e menos intrusivo neste grande eco sistema que é Natureza.


a.tereso

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