Cultura
permanente
Um
olhar sobre as pequenas coisas
Antes
de falar nos últimos dias da Tullyquilly House, quero-vos entrar em
detalhe do que é para mim, neste momento a permacultura.
Terei
que recuar, ou remeter para outros o que em mim habita e o
significado que para mim tem essa cultura permanente.
A
meu ver e sem grande rodeios, saber interagir e conhecer o meio, onde
pretendemos habitar, construir, semear, colher e partilhar, é um dos
princípios da subsistência, da sobrevivência ou da interação
natural da nossa condição com as que nos envolvem.
Olhar
às fases da lua, reconhecer cada estação, a importância das
sobras, da exposição do sol, ou a orientação dos pontos cardeais,
são naturais referências energéticas do nosso dia a dia, que por
vezes nos esquecemos na nossa vida. As pequenas coisas. Quanto mais
olhar para o solo, a micro fauna ai existente e a sua importância
para as culturas agrícolas. Eco sistema, onde interagimos e vivemos,
que importância têm, como respeitar, conhecer e cohabitar?
Algo
que os meus avós e outras tantas ancestrais almas harmoniosas, foram
praticando por necessidade e naturalidade, para tirar o melhor
partido da terra e para si mesmo. Para vencer a fome e contrariar
pobreza dos solos, necessidades humanas de sobrevivência.
Claro
que com o meu percurso de vida, o estudo da macrobiótica,
agricultura biológica, interesse pela biodinâmica e a leitura do
Masanobu Fukuoca, interligaram tudo e ajudaram a fazer sentido.
“Nós
somos o que comemos”, dai importar muito o que comemos e sabermos
de onde vêm as coisas. Já à algum tempo que semear, cuidar,
colher, é um ato de cuidar de mim, é um ato meditativo e de
rejuvenescimento.
Talvez tenha sido esta a maior herança que recebi dos meus
antepassados. A
simplicidade de
olhar para a terra sem
proveito fácil,
com
generosidade e equilíbrio, permitindo-me
interagir nos eco-sistemas que se interligam,
de forma natural.
Foi
um pouco disto que tentei transmitir ao Stewart. Saber observar
e interagir em harmonia com o meio. Claro que ao empirismo, importa
anexar pesquisa e conceitos técnicos. A constituição, equilíbrio
do solo, são fundamentais para uma boa nutrição, assim como a
consociação e rotatividade de culturas. Conhecer as pragas, fungos
e auxiliares
naturais, ajuda numa primeira fase, até que o “teu” ecosistema
encontre um equilíbrio entre as partes. A nós, cabe-nos observar,
nutrir, potencializar a natureza, de forma leve e equilibrada.
Observei
a área. Coordenadas, pontos de água, área selvagem, área para
cultivo, espaço, materiais, solo, árvores existentes, o que o
Stewart pretendia, que investimento queria fazer. Estudei o clima e o
tipo de culturas habituais. Esbocei um plano, o que considerava ser
apropriado do geral para o particular. O que tinha, poderia arranjar
e o que não havia disponibilidade. Sítio para abrigo de auxiliares,
compostagem, estufa (produção e sementeira), flora auxiliar,
culturas a considerar, consociações, etc. Voltei a pegar em lápis
de cor, os que haviam e desenhei. Deixei parte do projeto nas mãos
do Stewart, mas foi bom esta observação, interação e partilha.
São
estes os meus princípios permanentes e que tento aplicar no meu dia
a dia, que me foram transmitidos.
Partilho-vos
também os princípios da permacultura.
Continuarei
nesta pesquisa, empírica mas também técnica, para que seja cada
vez mais leve e menos intrusivo neste grande eco sistema que é
Natureza.
a.tereso



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