17 fevereiro, 2017

Espuma dos dias,
calçada dos gigantes (Causeway Coast)

Uma das coisas que mais me marcou na Irlanda (Norte) foi não existir enxadas para cavar e existirem ovelhas sem mais não. Tudo o demais me parece plausível neste contexto e no mundo onde vivemos.
Algo ainda muito presente é a presença da guerra (The Troubles)  que decorreu na segunda metade do século XX, pelos murais, pelas marcas de armas e relevância desse momentos em museus e nas pessoas. Tratou-se numa guerra civil, em primeiro lugar, da população protestante (maioria), em favor de preservar os laços com a Grã-Bretanha, e do outro lado a população católica (minoria), em favor da independência ou a integração da província com a República da Irlanda. Apesar de já não se sentir esses muros de outrora, o Brexit veio criar novos burburinhos não só por aqui, mas em todo Reino Unido, pela falta de palavra que os países ditos secundários não tem tido.
Relativamente às ovelhas, é impressionante tanto o verde, como a sua presença na paisagem. Questionei-me muitas vezes por quê ter tantos animais e não ter quase produção de vegetais e cereais! Será só por causa do tempo enquanto estado climatérico? Será por herança e sempre foi assim? Ou será por perda de identidade, comodismo e subjugação ao sistema capitalista? Não sei dizer por certo, mas incomoda-me sentir esta subjugação, esta perda de memória e identidade.



Visitei Belfast de passagem e Derry por oportunidade. Tudo sem grandes planos e por acabar por acontecer. A viagem tem sido um pouco assim. Tenho muitos locais identificados, de interesse mas tenho tudo aberto, com dinamismo e passível de se concretizar.
Permaneci e descobri Derry pela companhia, amizade e gosto que é ter a Mara por perto. Foi ela que me desafiou a partilhar-mos um pouco mais de nós e eu aceitei. Importa partilhar intimidade, amizade e muitas vezes sair de encontros ocasionais, de olás à distância e de momentos pontuais. Os silêncios importam, mas por vezes a presença sensorial acrescenta calor. Passamos uma semana bem passada. Entre cozinhados, partilhas, risos, filmes e caminhadas.



A maior aventura foi o passeio a 
Causeway Coast, área de uma imensidão paisagística brutal, onde a terra vulcânica se deixa penetrar pelo mar, ou quiçá seja o contrário. Parte deixo-vos em imagens, mas o intangível fica nos pequenos gestos, momentos, coisas que a objetiva, as palavras não permitem alcançar. É esta a espuma dos dias!
a.tereso

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