Espuma
dos dias,
calçada
dos
gigantes
(Causeway
Coast)
Uma
das coisas que mais me marcou na Irlanda (Norte) foi não existir
enxadas para cavar e existirem ovelhas sem mais não. Tudo o demais
me parece plausível neste contexto e no mundo onde vivemos.
Algo
ainda muito presente é a presença da guerra (The
Troubles)
que decorreu na segunda metade do século
XX,
pelos murais, pelas marcas de armas e relevância desse momentos em
museus e nas pessoas. Tratou-se numa guerra civil, em primeiro lugar,
da população protestante (maioria),
em favor de preservar os laços com a Grã-Bretanha,
e do outro lado a população católica (minoria),
em favor da independência ou a integração da província com
a República
da Irlanda.
Apesar
de já não se sentir esses muros de outrora, o Brexit veio criar
novos burburinhos não só por aqui, mas em todo Reino Unido, pela
falta de palavra que os países ditos secundários não tem tido.
Relativamente
às ovelhas, é impressionante tanto o verde, como a sua presença na
paisagem. Questionei-me muitas vezes por quê ter tantos animais e
não ter quase produção de vegetais e cereais! Será só por causa
do tempo enquanto estado climatérico? Será por herança e sempre
foi assim? Ou será por perda de identidade, comodismo e subjugação
ao sistema capitalista? Não sei dizer por certo, mas incomoda-me
sentir esta subjugação, esta perda de memória e identidade.
Visitei Belfast de passagem e Derry por oportunidade. Tudo sem grandes planos e por acabar por acontecer. A viagem tem sido um pouco assim. Tenho muitos locais identificados, de interesse mas tenho tudo aberto, com dinamismo e passível de se concretizar.
Permaneci e descobri Derry pela companhia, amizade e gosto que é ter a Mara por perto. Foi ela que me desafiou a partilhar-mos um pouco mais de nós e eu aceitei. Importa partilhar intimidade, amizade e muitas vezes sair de encontros ocasionais, de olás à distância e de momentos pontuais. Os silêncios importam, mas por vezes a presença sensorial acrescenta calor. Passamos uma semana bem passada. Entre cozinhados, partilhas, risos, filmes e caminhadas.
Permaneci e descobri Derry pela companhia, amizade e gosto que é ter a Mara por perto. Foi ela que me desafiou a partilhar-mos um pouco mais de nós e eu aceitei. Importa partilhar intimidade, amizade e muitas vezes sair de encontros ocasionais, de olás à distância e de momentos pontuais. Os silêncios importam, mas por vezes a presença sensorial acrescenta calor. Passamos uma semana bem passada. Entre cozinhados, partilhas, risos, filmes e caminhadas.
A maior aventura foi o passeio a Causeway Coast, área de uma imensidão paisagística brutal, onde a terra vulcânica se deixa penetrar pelo mar, ou quiçá seja o contrário. Parte deixo-vos em imagens, mas o intangível fica nos pequenos gestos, momentos, coisas que a objetiva, as palavras não permitem alcançar. É esta a espuma dos dias!
a.tereso


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