12 março, 2017

KRISHNA ECO FARM
O primeiro grande desafio

Após estar uns dias em Glasgow, passei 19 dias em Lesmagow na Krishna Eco Farm. Nunca se sabe o que se vai encontrar e por mais que não se queira fazer grandes expetativas, a mente deambula sempre para encontrar pontos incidentes. A curiosidade antes de mais, era saber como vivia uma comunidade espiritual, como se organizava e conciliava o seu dia a dia com o mundo terreno.
Talvez seja esse o meu problema. Criar expectativas, construir conceitos e ideias antes de iniciar. Talvez esse princípio de presente esteja distante e seja difícil de concretizar ainda. É por isso que decidi escrever após a minha estadia, para que fosse respeitante com as premissas e esse presente (ausente).
Claro que a experiência foi muito enriquecedora e permitiu-me ouvir-me uma vez mais. Andamos todos a tentar encontrar estratégias de vida que nos aproximem mais de nós e do divino. Seja qual for o caminho escolhido.
Antes de ir, pouco conhecia do movimento Krishna e o que me vinha à cabeça era de ver pessoas a cantar e dançar na rua. Agora que sai, ainda pouco sei sobre a filosofia para questionar ou glorificar, mas ficou a curiosidade de aprofundar este sistema de vida. Claro está que apreendi o modus vivendi desta comunidade, mas prefiro ser eu a interpretá-lo por mim, através das escrituras.



Escolho os locais pelo tipo de projeto, mas algo tem pesado bastante, se tem uma alimentação vegetariana. Este era o único local na Escócia na rede com este modelo de alimentação. E de facto, tem sido a alimentação a maior dificuldade, muitas vezes por não existir estrutura nutricional e balanço nas refeições. Se até aqui pude ter interferência, neste projeto limitava-me a sentar e comer. Comida como se tivesse na índia, com os mesmos temperos e simplicidade e quase sempre a mesma! Arroz e curry de lentilhas!
A minha maior dificuldade foi não perceber onde a vida espiritual se interligava com a vida terrena, no dia a dia. Foi perceber que o princípio comunitário muitas vezes não vai para além do Templo. Foi perceber que o conceito ECO, de sustentabilidade não está enraizado e pouco prevalece nas refeições. Foi entender que muitas vezes ter meios, não dá a força e produz à ação. Claro está, tendo em conta que estas minhas observações serão redutoras e exageradas. Que possivelmente o inverno condiciona este interligar e que o pouco que se faz é um passo grande no objetivo geral.
Os primeiros dias foram difíceis por perceber que as tarefas estavam delineadas com uma estrutura desorganizada, sem grande preocupação, objetivos e visão global. Esperei para ver, para conhecer os intervenientes, para ter a leitura geral do sítio, das pessoas e da filosofia vigente. Fui dando-me a cada dia, do meio jeito, com atitude e prática.
Conto-vos algo que mudou a minha vida à uns tempos (muito antes de vir). Pensei: se despendo energia e tempo numa ação, quero que esse intuito, esse momento seja bem empregue, por inteiro e integro. A importância do detalhe, das pequenas coisas. É com esse espirito que parto para o que quer que seja. Limpar a casa, cozinhar, cuidar da horta, estar com pessoas....
Conto-vos que a primeira vez que limpei a carrinha (o meu pai que não saiba, uma vez que pouco cuidado tinha com a limpeza do meu carro) e a casa (ashram masculino), grande parte das pessoas vieram-me dar os parabéns.
Nos primeiros dias na horta fiz análise do solo, das condições que tinham, tentei perceber se o estado climatérico era similar ao do Irlanda do Norte, objetivos, etc.. Após isso indiquei possibilidades, dei estratégias, possibilitei troca de ideias e pesquisa. Passei a ser venerado por sugerir, por fazer pensar, por fazer e agir... Muitas vezes esse é o meu principal objetivo, que as pessoas pensem por elas e dêem intuito ao que fazem. Possam pesquisar e saber mais, de modo a que a acção, o tempo seja bem empregue e em benefício global (natureza).


Muito havia por contar da minha intensidade dos dias. Os detalhes ficam para mim e para quem os viveu. Dou esta experiência como bem empregue, enriquecedora e única. O que me ri e me vou rir à conta desta experiência. Quantas vezes cantei “HARE KRISHNA, HARE KRISHNA, KRISHNA KRISHNA, HARE HARE, HARE RAMA, HARE RAMA, RAMA RAMA, HARE HARE”.

Que se continue no encontro do espiritual, de braços dados com a Mãe TERRA. No ultimo dia, o Charanga chegou junto a mim com um desenho/ plano da horta, com um pequeno esquema de consociações, cheio de design... e é isso que me faz continuar a acreditar.

a.tereso

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