Intensidade
na leveza das manhãs,
Lismore
uma realidade presente em Thomas Morus
Aqui em Lismore senti-me em casa, mas também foi aqui que vivi dos dias mais intensos e reflectivos. A percepção da condição que me alberga no momento.
Talvez
aqui me tenha apercebido que importa não levar ao limite o esforço
e que se deve por vezes, parar. É raro cansar-me, ou não recuperar
numa noite o esforço do dia anterior. O viver de objetivos e no
limite pode nos condicionar. Apesar deste raciocínio e de ser a
mente a limitar-nos e não o corpo, tudo surgiu por ter feito um
entorse no tornozelo. Talvez pela descontração e relax que aqui
vivi. Sem grandes preocupações e feliz. Verdadeiramente por estar a
contribuir e de certo modo a viver um sonho.
Assustei-me
pois parecia que nunca tinha feito um entorse tão grave. Pensei que
tivesse partido o pé. Fui forçado a parar e apesar de querer ir ao
hospital, acabei por não ir. Tudo isto ajudou a que a dor do joelho
passa-se. Passados dois dias percebi que não deveria ser tão grave.
Descansei durante quatro dias, dei muitos mimos ao pé (gelo, pomada)
e após esses dias voltei ao trabalho com todos os cuidados, como se
de fisioterapia se tratasse.
Após
a construção da parede de pedra, tinha como objetivo ajudar na
construção das paredes em fardos de palha e nos rebocos. Assim
aconteceu naturalmente. Nesses dias empenhei-me a fazer e aprender o
máximo. Foi intenso mas maravilhoso ver a crescer as paredes, a
passar os dias e perceber o detalhe deste tipo de construção.
Apesar do cansaço, por vezes custava parar. Também por sentir que
deveria ir, continuar a viagem.
Houve
reforço de equipa (voluntários) e plano de avançar para se
terminar o mais possível. Dias intensos, mas felizes e de convívio.
Comecei então a pensar mais a sério em um novo projeto e terminar o
que me tinha proposto finalizar, os rebocos em cal.
Foi
também nas ultimas semanas que recebi a notícia da morte da minha
querida avó Conceição. Alguém que me marcou muito na minha vida,
pela sua descontração, sorriso e energia. Alguém de quem eu sinto
que herdei mais do que aquilo que sei. Alguém que se manterá viva
em mim, pela sua simplicidade e grandeza.
Foi
em Lismore que me senti em casa, feliz, com dias intensos, voltei a ver cordeiros a nascer, numa imensidão de natureza, mas sabia
que teria que continuar. Custa-me sempre mudar de projeto. Cria-se
sempre alguma ansiedade, não pela mudança ou desconhecido, mas por
mais uma vez ter que criar formas de comunicação. Isto porque o
inglês anda sempre mais devagar, que eu próprio. Por preguiça e
adversão.
Se
tiver oportunidade voltarei a este sítio e conhecerei mais esta zona
da Escócia que é maravilhosa pela sua monumentalidade paisagística.
Sou grato a tudo o que aqui vivi, pois permitiu-me perceber da minha
invencibilidade e que nem sempre conseguirei controlar/ moldar as
coisas como eu quero. Conhecer os limites e tornar consciente a
importância do culto da mente sobre o corpo. Valorizar cada vez
mais, com presença as pessoas que por nós são queridas e uma
referência. Viver para além da materialidade.
Até
já Utopia!
(19-04-17)



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