06 julho, 2017

Felin Uchaf,
o inicio da viagem

Rhoshirwaun é quase no fim do mundo, ou numa pequena península em Wales onde o acesso fica limitado pelos transportes. Tive a sorte que o Owin me tenha ido levar. Pelo caminho voltei a passar pela paisagem da Snowdonia e junto ao mar.
Cheguei já tarde e com pouca luz, mas a dar a volta de boas vindas fiquei logo maravilhado pelo tipo de construções e pela magia do lugar. Nessa noite convidaram-me para ir ver o nascer do sol ás montanhas. Eram 3h30 quando me levantei e foi maravilhoso. Vê-lo nascer, na floresta, à lareira e a comer porridge.
Felin Uchaf é um projeto familiar, talvez tenha nascido de uma história de amor ou num sonho a dois. Grande parte da terra no reino unido é para pastagens e ovelhas, remetendo-se a floresta para zonas mais remotas ou para os parques nacionais. Neste lugar o princípio para combater a erosão foi plantar árvores que permitissem renascer a fauna e flora do lugar que se limitava a pouco. Passados 12/ 13 anos, é impressionante a vida do lugar, a força das árvores que ocupam delicadamente o seu espaço e como as construções se harmonizaram com a envolvência. Em pouco tempo e com tempo, conseguiu-se regenerar e contribuir de forma tão significativa.


Felin Uchaf pretende ser um centro de formação, ligado às arts and crafts ou como incubadora de projetos ligados à eco construção. Grande parte do trabalho aqui realizado é em madeira, numa qualidade que nunca tinha visto. As tipologias e técnicas são diferentes das praticadas em Portugal e muito características do reino unido. Grande parte dos telhados aqui são verdes, ou realizados como antigamente, em palha (thatched roof).

Atualmente e foi aqui que eu estive a colaborar, o Dafydd está a terminar um eco edifício que servirá para workshops e como galeria, a Cammas House. Aqui estive envolvido no revestimentos e nas pinturas a cal, iniciando e terminando quase todo o trabalho (interior).

Também durante a minha estadia neste paraíso, realizei trabalhos em argila (cob), executando dois fornos. Esta tarefa foi muito enriquecedora e nutritiva. Lembrei-ma das vezes que comia brindeiras quentes após a minha avó cozer.


Paralelamente existe um belo jardim e horta, administrado e cuidado por Philippa (esposa), que abastece as refeições dos voluntários. Uma pessoa encantadora, reservada mas com quem eu privei e falei de muita coisa.
Esta zona de Wales é muito bonita, tendo uma bela costa para passeio e belas praias. A água é fria, mas para quem sempre praiou na Nazaré, não é muito diferente.
Foi também aqui que soube da morte, ou da passagem desta para outra vida, do meu avô Cristiano. Ele que me ensinou a olhar para as fases da lua, para as estações e talvez para o sobrenatural. Nesta viagem “perdi” à distância os meus últimos avós (avó paterna e avô paterno) e de certo modo isso mexeu comigo. Pela simples questão de estar longe da família deste momento.
Nesta estadia, visitei Snowdonia e também visitei o the natural building centre, administrado pelo Ned e surgiu com isso uma possibilidade futura de colaboração. Por ser incerta a data, prosseguirei viagem e logo saberei o que possa daí nascer.
Nos últimos dias, foi ficando mais tempo por Felin Uchaf por não conseguir arranjar host. A minha intenção era voltar a Inglaterra.
Esta minha passagem por este projeto, deixou uma grande semente a querer germinar e proliferar, de modo a que cada um de nós seja consciente e interveniente nas nossas escolhas e acções. Os sonhos, esses podem demorar tempo, mas concretizam-se se forem verdadeiros.

Agradeço muito e de coração por esta oportunidade e enriquecimento. É um sítio que espero voltar.

a.tereso

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