Felin
Uchaf,
o
inicio da viagem
Rhoshirwaun
é quase no fim do mundo, ou numa pequena península em Wales onde o
acesso fica limitado pelos transportes. Tive a sorte que o Owin me
tenha ido levar. Pelo caminho voltei a passar pela paisagem da
Snowdonia e junto ao mar.
Cheguei
já tarde e com pouca luz, mas a dar a volta de boas vindas fiquei
logo maravilhado pelo tipo de construções e pela magia do lugar. Nessa noite convidaram-me para ir ver o nascer do sol ás montanhas. Eram 3h30 quando me levantei e foi maravilhoso. Vê-lo nascer, na floresta, à lareira e a comer porridge.
Felin
Uchaf é um
projeto familiar, talvez tenha nascido de uma história de amor ou
num sonho a dois. Grande parte da terra no reino unido é para
pastagens e ovelhas, remetendo-se a floresta para zonas mais remotas
ou para os parques nacionais. Neste lugar o princípio para combater
a erosão foi plantar árvores que permitissem renascer a fauna e flora do lugar que se limitava a pouco. Passados 12/ 13 anos, é
impressionante a vida do lugar, a força das árvores que ocupam
delicadamente o seu espaço e como as construções se harmonizaram com
a envolvência. Em pouco tempo e com tempo, conseguiu-se regenerar e
contribuir de forma tão significativa.
Felin
Uchaf pretende ser um centro de formação, ligado às arts
and crafts ou
como incubadora de projetos ligados à eco construção. Grande parte
do trabalho aqui realizado é em madeira, numa qualidade que nunca
tinha visto. As tipologias e técnicas são diferentes das praticadas
em Portugal e muito características do reino unido. Grande
parte dos telhados aqui são verdes, ou realizados como antigamente,
em palha (thatched roof).
Atualmente
e foi aqui que eu estive a colaborar, o Dafydd está a terminar um
eco edifício que servirá para workshops e como galeria, a Cammas
House. Aqui estive envolvido no revestimentos e nas pinturas a cal,
iniciando e terminando quase todo o trabalho (interior).
Também
durante a minha estadia neste paraíso, realizei trabalhos em argila
(cob), executando dois fornos. Esta tarefa foi muito enriquecedora e
nutritiva. Lembrei-ma das vezes que comia brindeiras quentes após a minha avó cozer.
Paralelamente
existe um belo jardim e horta, administrado e cuidado por Philippa
(esposa), que abastece as refeições dos voluntários. Uma pessoa
encantadora, reservada mas com quem eu privei e falei de muita coisa.
Esta
zona de Wales é muito bonita, tendo uma bela costa para passeio e
belas praias. A água é fria, mas para quem sempre praiou na Nazaré,
não é muito diferente.
Foi
também aqui que soube da morte, ou da passagem desta para outra
vida, do meu avô Cristiano. Ele que me ensinou a olhar para as fases
da lua, para as estações e talvez para o sobrenatural. Nesta viagem
“perdi” à distância os meus últimos avós (avó paterna e avô
paterno) e de certo modo isso mexeu comigo. Pela simples questão de
estar longe da família deste momento.
Nesta
estadia, visitei Snowdonia e também visitei o the
natural building centre, administrado pelo Ned e surgiu com isso uma
possibilidade futura de colaboração. Por ser incerta a data, prosseguirei viagem e logo saberei o que possa daí nascer.
Nos
últimos dias, foi ficando mais tempo por Felin Uchaf por não
conseguir arranjar host. A
minha intenção era voltar a Inglaterra.
Esta
minha passagem por este projeto, deixou uma grande semente a querer
germinar e proliferar, de modo a que cada um de nós seja consciente e
interveniente nas nossas escolhas e acções. Os sonhos, esses podem
demorar tempo, mas concretizam-se se forem verdadeiros.
Agradeço
muito e de coração por esta oportunidade e enriquecimento. É um
sítio que espero voltar.
a.tereso





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