Desenvolveu-se uma nova repartição no meu coração sem que
alguém saiba explicar como e porquê. Desconfio até que já existisse e só agora
tenha sido preenchida. Não se assemelha a nenhum ventrículo e a nenhuma
artéria. Não dói por estar cheia, nem criava angustia quando estava meio vazia.
Não sei se tem nome, mas penso que lhe dei função. Não bombeia sangue, nem
armazena, o seu papel não é meramente mecânico. Os meus sonhos cabem nesse
espaço e ai os aprendi a armazenar. É pequeno, sequer sonho muito. Um dia se o
meu coração parar de bater sei que não vai parar por completo. A energia que
tem lá dentro não se acaba, continuará até que se acabe estrelas no céu. Não
existe explicação para aquilo que tem o seu lugar. Como veio, poderá um dia ir,
sem que seja necessário entender e saber porquê. Esta bolha que tenho cá
dentro, pode ser da dimensão do universo, porque poderá ter o mesmo entendimento
e pequenez. E sabem, o tamanho das coisas são como nós as vemos, e não mais que
isso. O meu universo está nesta pequena repartição que se apoderou do meu
coração, e lá cabe tudo quanto eu imagino e sonho. Por mais que eu lá queira
por as minhas ilusões, lá não entram por o espaço estar confiado a mim, ao que
sou e quero ser. Ser um pouco de cada nada no preenchimento dos vazios que me habitam,
e me permitem libertar no despertar do que sinto. Mas mais alguma coisa
houvesse para lá deixar, e não teria o que lá mais pôr. A cada vazio um
preenchimento, uma bolha de ar que oxigena o sangue que nutre cada célula em
mim. Esse espaço é o núcleo do meu ser que me alimenta e transporta para a tua
dimensão. Uma outra que só agora descobri mas que preencho a cada noite com
vias lácteas de estrelas e com infinitos asteróides para que vejas a imensidão
deste planeta que tenho para ti.
a.tereso
Sem comentários:
Enviar um comentário