14 março, 2014


Desenvolveu-se uma nova repartição no meu coração sem que alguém saiba explicar como e porquê. Desconfio até que já existisse e só agora tenha sido preenchida. Não se assemelha a nenhum ventrículo e a nenhuma artéria. Não dói por estar cheia, nem criava angustia quando estava meio vazia. Não sei se tem nome, mas penso que lhe dei função. Não bombeia sangue, nem armazena, o seu papel não é meramente mecânico. Os meus sonhos cabem nesse espaço e ai os aprendi a armazenar. É pequeno, sequer sonho muito. Um dia se o meu coração parar de bater sei que não vai parar por completo. A energia que tem lá dentro não se acaba, continuará até que se acabe estrelas no céu. Não existe explicação para aquilo que tem o seu lugar. Como veio, poderá um dia ir, sem que seja necessário entender e saber porquê. Esta bolha que tenho cá dentro, pode ser da dimensão do universo, porque poderá ter o mesmo entendimento e pequenez. E sabem, o tamanho das coisas são como nós as vemos, e não mais que isso. O meu universo está nesta pequena repartição que se apoderou do meu coração, e lá cabe tudo quanto eu imagino e sonho. Por mais que eu lá queira por as minhas ilusões, lá não entram por o espaço estar confiado a mim, ao que sou e quero ser. Ser um pouco de cada nada no preenchimento dos vazios que me habitam, e me permitem libertar no despertar do que sinto. Mas mais alguma coisa houvesse para lá deixar, e não teria o que lá mais pôr. A cada vazio um preenchimento, uma bolha de ar que oxigena o sangue que nutre cada célula em mim. Esse espaço é o núcleo do meu ser que me alimenta e transporta para a tua dimensão. Uma outra que só agora descobri mas que preencho a cada noite com vias lácteas de estrelas e com infinitos asteróides para que vejas a imensidão deste planeta que tenho para ti. 

a.tereso

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